Ciência

Estudo com canetas antiobesidade em camundongos sugere aumento de longevidade

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Pesquisas apontam efeitos positivos da semaglutida em animais idosos, ampliando debate sobre uso off-label

Camundongo em laboratório sendo estudado com destaque para uma caneta de medicamento ao lado
Imagem: Jornal da USP

Uma pesquisa revista na Nature revela que camundongos fêmeas tratados com a medicamento antiobesidade viveram mais. Estudo investiga se os benefícios estão ligados à perda de peso ou à própria medicação.

Segundo uma publicação na revista Nature, um estudo conduzido por cientistas revelou que camundongos fêmeas de aproximadamente 60 anos humanos, aos 20 meses de idade, apresentaram aumento de longevidade após o uso de uma caneta de semaglutida, uma droga inicialmente aprovada para tratamento de obesidade. A pesquisa dividiu os animais em dois grupos: um recebeu o medicamento por três meses, enquanto o outro permaneceu sem tratamento, permitindo uma comparação direta dos efeitos.

O estudo, ainda sem confirmação oficial de outras fontes, aponta que a semaglutida, ao reduzir o peso e melhorar fatores de risco associados a problemas cardíacos, hipertensão, colesterol elevado e diabetes, pode promover a extensão da vida dos animais. Mayana Zatz, diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco da USP, explicou que "sabemos que a obesidade é um fator de risco que está associado a problemas cardíacos, hipertensão, aumento de colesterol e diabetes, então, não é difícil concluir que perder peso é benéfico, pois reduz essas comorbidades e melhora a qualidade de vida e longevidade". Ainda não há uma confirmação de que esses efeitos se estendam aos seres humanos, e a pesquisa destaca que os benefícios poderiam estar relacionados não apenas à perda de peso, mas também ao impacto direto do medicamento.

Além do estudo com camundongos fêmeas, há referências a outro experimento com animais machos, que teria apresentado uma redução em vários sinais de envelhecimento, incluindo perda de força muscular. Segundo a mesma fonte, esses estudos parecem indicar que os efeitos positivos da semaglutida podem não estar limitados ao sexo feminino, o que abre possibilidades interessantes para futuras investigações, sobretudo para a saúde masculina. A expectativa de que a droga promova uma maior longevidade sem apenas atuar na perda de peso reforça o interesse da comunidade científica em entender melhor os efeitos do medicamento, embora ainda não haja uma confirmação oficial de novos usos ou benefícios para humanos.

Por enquanto, a pesquisa permanece em fase experimental e não há, ainda, recomendações clínicas oficiais para o uso da semaglutida como remédio para prolongar a vida. A coluna Decodificando o DNA, com a professora Mayana Zatz, está prevista para ir ao ar quinzenalmente na Rádio USP às quintas-feiras, às 9h, complementando o debate com especialistas no tema. O fato de o estudo ter sido divulgado por uma revista científica importante reforça o interesse na possibilidade de que, no futuro, medicamentos existentes possam virar aliados não apenas contra o excesso de peso, mas também contra o envelhecimento, se for confirmada sua eficácia e segurança.

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O que sabemos?

  • Estudo publicado na revista Nature sugere que a semaglutida aumenta a longevidade de camundongos idosos.
  • A pesquisa envolveu camundongos de 20 meses, equivalente a aproximadamente 60 anos humanos.
  • Tratamento durou três meses e foi comparado com grupo controle não tratado.
  • Ainda não há confirmação oficial de uso semelhante em humanos.
  • A droga é conhecida por seu efeito antiobesidade e benefício na redução de fatores de risco de doenças crônicas.

Fontes

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