Controvérsia sobre método de IA na resolução de problema matemático levanta dúvidas
Debate surge após uso de inteligência artificial da OpenAI em questão não resolvida há décadas
Pesquisadores questionam procedimento da OpenAI ao aplicar inteligência artificial para resolver um dos sete maiores problemas da matemática. Segundo fontes, episódio misterioso e o uso de técnicas avançadas estão sob observação.
Uma controvérsia envolvendo a OpenAI, empresa conhecida por seus avanços em inteligência artificial, ganhou destaque esta semana ao ser questionada por pesquisadores sobre o método utilizado para tentar resolver um dos Problemas do Milênio, um conjunto de questões matemáticas considerados os maiores desafios do campo. Segundo informações de uma fonte especializada, a equipe da OpenAI teria empregado uma técnica chamada forcing, que envolve a aplicação de perturbações controladas em simulações de fluidos, para buscar uma solução para as equações de Navier-Stokes, formuladas no século XIX por Claude-Louis Navier e George Gabriel Stokes. Essas equações descrevem movimentos de fluidos e estão ligadas à questão do “blowup”, ou seja, de singularidades que podem fazer as previsões científicas falharem ao tentar determinar se certas propriedades de um fluido podem atingir valores infinitos em pontos específicos.
A investigação da OpenAI envolveu cerca de dez mil agentes de inteligência artificial que atuaram durante aproximadamente 88 horas na simulação do problema. Ainda segundo informações não confirmadas, a equipe trabalhou inicialmente nas equações de Euler, uma versão simplificada sem viscosidade, e conseguiu identificar o fenômeno do blowup após 50 horas de análise. Após esse avanço, os pesquisadores focaram nas equações de Navier-Stokes, afirmando que seus agentes detectaram uma singularidade onde um vórtice se torna cada vez mais estreito e intenso, gerando uma rotação que matematicamente tende ao infinito. Para verificar seus passos, a equipe usou uma ferramenta chamada Lean, que atua como um verificador formal de provas matemáticas, e relatou a troca de cerca de 2,7 milhões de mensagens entre os agentes, produzindo aproximadamente 130 bilhões de tokens.
Na coletiva realizada na última terça-feira, representantes da OpenAI citaram uma tarefa semelhante realizada por um cliente, cujo custo seria por volta de US$ 15 milhões — algo em torno de R$ 81 milhões na cotação atual. O CEO da empresa, Sam Altman, admitiu que a OpenAI já tinha conhecimento do trabalho de pesquisadores como Tristan Buckmaster, matemático da Universidade de Nova York, e Levent Alpöge, da Anthropic, antes de divulgar sua própria resolução do problema. Segundo Altman, “estávamos curiosos para saber se o nosso também conseguiria”, e afirmou que as abordagens utilizadas parecem diferentes. Buckmaster, por sua vez, discorda dessa afirmação, alegando que suas metodologias são similares à da OpenAI. A empresa ainda reconheceu ter oferecido aos matemáticos a oportunidade de publicados seus trabalhos em conjunto, estimulando um debate que envolve também o uso de ferramentas como o Codex, um assistente de programação da OpenAI, utilizado por Buckmaster para auxiliar na sua pesquisa e, segundo ele, incluindo partes do seu rascunho na plataforma de IA.
Apesar do avanço, a própria OpenAI adverte que a questão ainda não foi oficialmente resolvida e que a confirmação de uma solução definitiva ainda depende de revisões formais. A polémica reforça a discussão sobre os limites do uso de inteligência artificial na solução de problemas complexos e a transparência dos métodos empregados. Além disso, a relação entre a pesquisa acadêmica e a tecnologia de ponta levanta questões sobre a ética, propriedade intelectual e o impacto de tais avanços na comunidade científica. Ainda não há uma confirmação oficial de que o método utilizado pela OpenAI resultou na resolução do problema de Navier-Stokes, e a controvérsia segue em aberto, estimulando debates em universidades, institutos de pesquisa e no meio tecnológico.
O que sabemos?
- OpenAI usou inteligência artificial para investigar o problema das equações de Navier-Stokes
- Foram utilizados cerca de 10 mil agentes de IA ao longo de aproximadamente 88 horas
- A equipe afirmou ter detectado uma singularidade (blowup) nas equações, indicando uma possível solução
- A técnica empregada envolveu uma simulação com perturbações controladas, chamada forcing
- O método foi verificado pelo programa Lean, que checa cada etapa de provas matemáticas
Fontes
- Olhar Digital fonte especializada





