Ciência

Pesquisa revela como asteroides co-orbitais podem usar mecanismos naturais para evitar colisões com planetas

Em apuração ?

Estudo da Unesp aponta que fenômeno pode atuar como um escudo natural no sistema solar

Ilustração de um asteroide em órbita ao lado de um planeta, representando mecanismo gravitacional.
Imagem: Olhar Digital

Um estudo recente conduzido por pesquisadores da Unesp indica que certos asteroides que compartilham órbitas com planetas podem se proteger de encontros próximos graças a um mecanismo gravitacional específico.

Uma pesquisa inovadora realizada na Unesp, na cidade de Guaratinguetá (SP), revelou que alguns asteroides co-orbitais, ou seja, corpos que compartilham a mesma trajetória orbital de um planeta, podem estar mais protegidos de colisões graças a um fenômeno gravitacional conhecido como mecanismo von Zeipel–Lidov–Kozai (ZLK). Segundo a pesquisa, publicada na revista científica Celestial Mechanics and Dynamical Astronomy, essa interação pode criar uma espécie de 'escudo' natural, afastando esses corpos de encontros perigosos com seus planetas associados.

De acordo com a fonte única da apuração, o pesquisador responsável por esse estudo, Valerio Carruba, da Faculdade de Engenharia e Ciências (FEG) da Unesp, explicou que a investigação focou nos chamados asteroides co-orbitais, que, apesar de não seguirem exatamente a mesma trajetória dos planetas, levam aproximadamente o mesmo tempo para circundar o Sol devido à ressonância gravitacional 1:1. Essa ressonância faz com que o asteroide e o planeta se movam em voltas sincronizadas, o que, por si só, já garante certa estabilidade na órbita dessas pedras. No entanto, o estudo aprofunda essa compreensão ao analisar como outro fenômeno, o ZLK, pode fortalecer essa estabilidade.

Segundo Carruba, as simulações realizadas por eles, que consideraram perturbações provocadas por todos os planetas do Sistema Solar além da Lua, indicam que, em certos estados, a combinação dessas forças faz com que os asteroides modifiquem sua órbita ao longo de períodos de cerca de 100 mil anos, sem se aproximar perigosamente do planeta. Uma das principais descobertas foi a identificação de estados em que o argumento do periélio — um parâmetro que mede a orientação da órbita do asteroide — oscila em torno de 0° ou 180°, fenômeno conhecido como libração, o que ajuda a manter o corpo afastado de possíveis encontros.

Entre os asteroides analisados, um em particular foi denominado como o possível novo co-orbitais de Vênus, chamado de 2025 TV10 pela equipe. Este objeto, embora não esteja em um estado robusto de ZLK e apresente uma órbita que se aproxima de uma região de intersecção com a Terra, é bastante pequeno e, segundo Carruba, em caso de colisão, provavelmente seria destruído ao entrar na atmosfera. Além disso, em relação ao planeta Marte, foi identificado um co-orbitais também em um estado favorável ao mecanismo; trata-se do asteroide 2017 XG62, que, assim como os demais, mantém uma configuração que evita encontros próximos.

O estudo destaca ainda as dificuldades de observação desses corpos, especialmente os que orbitam próximos ao Sol no céu, limitando seu acompanhamento em períodos específicos. Atualmente, existem cerca de 21 co-orbitais de Vênus, 54 da Terra — incluindo outros 15 temporários — e 48 de Marte, porém nenhum de Mercúrio foi registrado até agora. Essa invisibilidade aparente se deve às regiões estreitas de estabilidade associadas à ressonância 1:1, que dificultam a observação e o monitoramento desses objetos, principalmente por sua proximidade com o Sol na esfera celeste.

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O que sabemos?

  • Pesquisadores da Unesp estudaram asteroides co-orbitais e mecanismos que os protegem de encontros com planetas.
  • O mecanismo von Zeipel–Lidov–Kozai (ZLK) pode criar libração em torno de 0° ou 180°, ajudando a afastar os asteroides de planetas.
  • Simulações indicam que esses asteroides permanecem em configurações que evitam aproximações perigosas por até 100 mil anos.
  • Existem atualmente 21 co-orbitais de Vênus, 54 de Terra e 48 de Marte, mas nenhum de Mercúrio.
  • Um asteroide chamado 2025 TV10 foi identificado como um possível novo co-orbitais de Vênus.

Fontes

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