Ciência

Estudo revela possíveis pistas de longevidade na tartaruga Jonathan, de 194 anos

Em apuração ?

Pesquisa aponta fatores genéticos que podem explicar a vida longa do animal, considerado o terrestre mais velho do mundo

Estudo revela possíveis pistas de longevidade na tartaruga Jonathan, de 194 anos
Imagem: Folha de S.Paulo

Cientistas analisaram o DNA de Jonathan, uma tartaruga de aproximadamente 1832 que vive na ilha de Santa Helena, e identificaram características que podem estar relacionadas à sua notável longevidade, incluindo baixa desordem nas regiões que controlam genes mitocondriais.

Um estudo recente divulgado nesta quarta-feira trouxe à tona possíveis descobertas sobre os segredos da longevidade do réptil Jonathan, uma tartaruga gigante estimada em 194 anos de idade, atualmente considerada o animal terrestre mais velho conhecido. Segundo a pesquisa publicada na revista Science Advances, os cientistas identificaram que o DNA de Jonathan apresenta marcadores genéticos típicos de individuais mais jovens, especialmente em regiões que regulam a atividade de genes ligados à função mitocondrial — estruturas celulares responsáveis pela produção de energia. Apesar de seu DNA geral indicar sinais de envelhecimento, a organização dessas regiões específicas se mantém em nível semelhante ao observado em tartarugas jovens, o que pode ser uma pista de como sua longevidade é possível, segundo os autores do estudo, coordenado por Stephen Clark, do Centro de Câncer Vanderbilt-Ingram. Ainda não está confirmado oficialmente, mas a hipótese é que essa organização genética favoreça uma produção de energia eficiente, ajudando na manutenção do organismo ao longo de décadas.

A idade exata de Jonathan ainda é cercada de mistério, embora imagens antigas, datadas de 1882, indiquem que o réptil já tinha pelo menos 50 anos na época. A partir dessas fotografias, os pesquisadores estimaram seu nascimento por volta de 1832. Como o animal não foi autorizado a ter sangue coletado por motivos de segurança, a equipe obteve seu DNA através de raspagem de células da boca. A partir daí, compararam suas sequências genéticas com as de outros quatro indivíduos da mesma espécie, dois jovens de 5 e 12 anos de idade, respectivamente, e dois adultos próximos de 90 anos.

Além da análise genética, os cientistas examinaram o epigenoma — o conjunto de modificações químicas que regulam a atividade dos genes sem alterar sua sequência, incluindo a metilação do DNA. Essa marca química funciona como post-its que influenciam se certos genes estão ativos ou inativos. A partir da análise, foi possível observar que, embora a maior parte do genoma de Jonathan apresentasse sinais de envelhecimento, regiões específicas que controlam a atividade de genes relacionados às mitocôndrias estavam mais organizadas do que o esperado para uma tartaruga de sua idade. Essa baixa

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