Ciência

Astrônomo Marcelo Gleiser reflete sobre a relação entre ciência e sabedoria ancestral na urgência de cuidar do planeta

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Físico aponta para um paradoxo existencial na humanidade: avançar tecnológica e cientificamente, mas sem preservar a vida na Terra

Imagem do astrônomo Marcelo Gleiser durante palestra
Imagem: Folha de S.Paulo

Segundo o astrônomo Marcelo Gleiser, há um paradoxo na relação da humanidade com o planeta: somos a única espécie capaz de contar sua história, mas estamos destruindo o solo que nos sustenta. Ele sugere união entre ciência e sabedoria antiga para reverter esse quadro.

Durante uma palestra disponível na plataforma CasaFolha, o renomado astrônomo e professor de física do Dartmouth College, Marcelo Gleiser, abordou um tema que inquieta muitos: o paradoxal relacionamento da humanidade com a Terra. Segundo Gleiser, vivemos um momento de contradições profundas, pois temos a oportunidade de entender o universo e desenvolver tecnologias avançadas, mas, ao mesmo tempo, estamos destruindo o próprio planeta que possibilita nossa vida.

Ele destacou que o planeta em que habitamos é único por permitir o desenvolvimento da vida, e que somos a única espécie capaz de contar essa história. Ainda assim, observa que essa narrativa está ameaçada pela exploração desmesurada dos recursos naturais e pela valorização de bens materiais em detrimento de uma visão mais sagrada do mundo. Segundo Gleiser, "a gente está contando uma história linda, mas talvez seja a última que seja contada por causa de nós mesmos".

Durante seu curso 'Mistérios do Universo: Big Bang, multiverso e outras teorias', disponível no site casafolhasp.com.br, ele argumenta que esse paradoxo é um 'paradoxo existencial', ressaltando o alto preço de uma cultura materialista. Para o cientista, a saída não é abandonar os avanços científicos acumulados, mas sim promover uma união entre a ciência de ponta e a sabedoria ancestral, uma abordagem que ele acredita ser essencial para uma mudança de postura na relação com o planeta.

Gleiser afirma que o mundo é muito raro e que a vida, sobretudo neste contexto, é também. Ele questiona por que, diante de tamanha rareza, ainda não adotamos uma postura mais cuidadosa. "Se é assim, por que não cuidar melhor do planeta e da vida?", questiona. A sua proposta é resgatar uma visão mais espiritual e sagrada do mundo, capaz de promover uma mudança de valores diante do que ele chama de uma espécie que se condena à morte ao seguir explorando sem limites.

Embora não tenha recomendado o abandono completo da ciência, Gleiser reforça a necessidade de uma mudança de perspectiva, uma união de conhecimentos que possibilite uma relação mais equilibrada com o planeta. Ainda não há confirmação de que essas ideias estejam sendo implementadas em políticas públicas ou decisões globais, mas seu discurso reforça a urgência de refletirmos sobre nosso papel na história da vida na Terra.

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O que sabemos?

  • Marcelo Gleiser é professor de física e astronomia do Dartmouth College.
  • Ele afirma que há um paradoxo existencial na relação da humanidade com a Terra.
  • Segundo Gleiser, o planeta é único e permite o desenvolvimento da vida, mas estamos destruindo ele.
  • Ele sugere unir ciência moderna e sabedoria ancestral para uma mudança de postura.
  • Gleiser questiona por que não cuidamos melhor do planeta, dado o seu valor raro.

Fontes

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