Estudo sugere que Manuscrito Voynich está com páginas fora de ordem há mais de 500 anos
Pesquisa aponta confusão na encadernação do enigmático códice medieval, abrindo novas possibilidades para sua decifração
Uma análise recente do Manuscrito Voynich ressalta que suas páginas poderiam ter sido encadernadas de forma incorreta há mais de cinco séculos, o que altera a compreensão sobre sua estrutura e conteúdo. O documento, famoso por seu sistema de escrita incompreensível e ilustrações misteriosas, pode estar organizado de modo diferente do imaginado por especialistas há décadas.
O enigmático Manuscrito Voynich, considerado um dos maiores mistérios da literatura mundial, ganhou uma nova hipótese de estudo nesta semana. Segundo uma pesquisa publicada na segunda-feira, 19 de outubro, pelo periódico Digital Medievalist, especialistas indicam que as páginas do códice medieval, datado do início do século 15, podem estar fora de ordem devido a uma falha na sua encadernação há mais de 500 anos. O documento, que possui cerca de 240 páginas repletas de um sistema de escrita exclusivo — conhecido como 'Voynichese' — além de ilustrações que retratam figuras humanas, vegetais e diagramas astrológicos, foi originalmente propriedade de um imperador do Sacro Império Romano-Germânico e atualmente faz parte do acervo da biblioteca da Universidade de Yale, nos Estados Unidos.
Segundo Lisa Fagin Davis, diretora executiva da Academia Medieval da América e uma das autoras do estudo, a estrutura física do manuscrito apresenta incoerências concernentes à ordenação das páginas. Em entrevista à revista Live Science, ela explicou que a alternância na caligrafia e o posicionamento das imagens indicam que a montagem do códice não seguiu o padrão de encadernações medievais tradicionais, que normalmente dobram folhas de pergaminho para formar cadernos de bifólios, que depois seriam costurados. Davis e Colin Layfield, pesquisador de sistemas de informação da Universidade de Malta e coautor do estudo, propõem que o Manuscrito Voynich foi originalmente concebido como uma coleção de páginas avulsas — chamadas de 'singulions' — que nunca deveriam ter sido unidas como um único volume. A encadernação incorreta parece ter ocorrido por alguém incapaz de compreender o conteúdo do manuscrito, o que acabou dificultando ainda mais sua leitura.
Para fundamentar a hipótese, a equipe realizou análises gráficas do texto, já que a quantidade de dados, aproximadamente 35 mil palavras, é insuficiente para técnicas modernas de inteligência artificial, como o uso de modelos avançados de processamento de linguagem natural. Mesmo assim, eles optaram por aplicar a Análise Semântica Latente (LSA), uma técnica criada na década de 1980, que tenta extrair significado de textos limitados em volume. Segundo Layfield, essa abordagem é importante para tentar compreender a mensagem do códice, apesar das limitações. Davis afirmou que o estudo quer tratar o conteúdo do manuscrito como um texto com potencial mensagem, tentando nivelar o conhecimento técnico diferenciado que a estrutura física e a organização das páginas podem revelar. Ainda não há confirmação de que a teoria da desordem seja definitiva, e o próprio estudo ressalta que o manuscrito ainda guarda mistérios que desafiam os criptoanalistas e linguistas há mais de um século.
Até o momento, o estudo está na fase de hipóteses e análises, e o próprio meio científico ainda aguarda por validações adicionais e por possíveis novas descobertas. O que se sabe é que essa investigação pode abrir uma nova direção para os esforços de entendimento do Manuscrito Voynich, que há anos intriga estudiosos ao redor do mundo, permanecendo indecifrável e misterioso. Portanto, apesar de ainda não confirmado oficialmente, o estudo sugere que a chave para decifrar o código e entender o conteúdo do documento pode estar justamente na reordenação de suas páginas, que, por acaso, nunca tiveram uma sequência lógica definida na encadernação original.
O que sabemos?
- O Manuscrito Voynich possui 240 páginas e usa um sistema de escrita exclusivo.
- Ele foi datado por radiocarbono do início do século 15.
- As páginas do códice podem estar fora de ordem devido a uma falha de encadernação há mais de 500 anos.
- Pesquisadores aplicaram análise gráfica e técnica de processamento de linguagem natural para estudar o manuscrito.
- O estudo sugere que o manuscrito foi criado como uma coleção de páginas avulsas, não como um caderno organizado.
Fontes
- Aventuras na História fonte especializada





