Estudo revela por que embriões de cobras se enrolam para a direita nos estágios iniciais
Pesquisa explica a origem mecânica e biológica do padrão de enrolamento das serpentes em seu desenvolvimento embrionário
Uma investigação científica publicada na revista Current Biology mostra que a torção dos embriões de cobras para o lado direito ocorre por fatores físicos e anatômicos internos, não por movimentos voluntários. O estudo liderado por pesquisadores do Canadá, Estados Unidos e Finlândia investiga o motivo desse padrão constante e o que ele revela sobre a evolução dos répteis.
Um estudo recente divulgado na revista científica Current Biology trouxe novos esclarecimentos sobre o enigma do comportamento de embriões de cobras que se enrolam predominantemente para o lado direito nos primeiros estágios de seu desenvolvimento. Liderado pelo biólogo evolucionista Tetsuto Miyashita, do Museu Canadense da Natureza, a pesquisa reuniu dados de pesquisadores de várias instituições pelo Canadá, Estados Unidos e Finlândia para entender esse fenômeno que, até então, despertava curiosidade na comunidade científica e no público em geral.
Segundo a análise apresentada no estudo, publicado ainda não confirmado oficialmente por outras fontes, o padrão de enrolamento ocorre cerca de 90% das vezes no sentido horário, direcionando-se ao lado direito do embrião. Os autores explicam que, mesmo antes de desenvolver musculatura capaz de movimentos voluntários, esses embriões já exibem esse comportamento assimétrico. Alexandra Weber, a principal autora do estudo, afirmou que “esses embriões não têm músculos para se mover. Então, diferentes forças os fazem se enrolar para a direita”.
A investigação constatou que a causa dessa inclinação se dá por fatores mecânicos e anatômicos internos ao ovo. Raul Diaz, pesquisador da Universidade Estadual da Califórnia, utilizou tomografia computadorizada para mapear os embriões em desenvolvimento e identificou que um trecho do intestino se situa no centro da espiral formada pelo organismo. Com o crescimento acelerado do tronco em comparação à expansão do intestino, a estrutura intestinal funciona como uma espécie de ponto de fixação, restringindo o alongamento do corpo. “É como se você ajustasse o comprimento de uma alça e o lado mais comprido se torcesse”, explica Miyashita.
Outra variável importante apontada na pesquisa é a posição da gema dentro do ovo, que se mantém fixa à esquerda do embrião durante as primeiras semanas. Essa configuração interna faz com que a torção mecânica ocorra inevitavelmente no sentido oposto à gema, ou seja, para o lado direito. A partir do momento em que o embrião se desenvolve e a musculatura passa a ser funcional, cerca de metade dos embriões mantêm sua orientação original, enquanto a outra metade reverte para o lado esquerdo até o momento da eclosão. Essa variação demonstra que a assimetria inicial não determina o padrão final de postura do animal.
Estes achados não apenas esclarecem um aspecto do desenvolvimento embrionário das serpentes, mas também contribuem para a compreensão da evolução do corpo alongado, que perdeu as patas com o tempo. A pesquisa sugere que o padrão de torção do embrião é consequência de forças físicas internas relacionadas à estrutura do ovo e ao crescimento do metabolismo em estágio inicial, e não de movimentos voluntários. Apesar de ainda não haver confirmação de outros especialistas, a descoberta lança luz sobre processos biológicos e mecânicos complexos que moldaram a forma corporal das cobras ao longo da evolução.
O que sabemos?
- Embriões de cobras tendem a se enrolar para a direita nos primeiros estágios.
- O padrão de torção ocorre mesmo sem musculatura funcional suficiente para movimentos.
- A causa é mecânica, relacionada à anatomia interna do ovo e ao crescimento do organismo.
- A posição fixa da gema influencia a torção, que ocorre do lado oposto.
- Metade dos embriões mantém a orientação após a eclosão, a outra reverte
Fontes
- Aventuras na História fonte especializada



