Ciência

Estudo aponta potencial do uso de compostos naturais na luta contra fungo que causa infecções hospitalares

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Pesquisadores desenvolvem formulação que combina clorexidina com extratos de óleos essenciais para fortalecer higienização em ambientes de saúde

Imagem de cultura de fungo Candida parapsilosis após aplicação de antisséptico em laboratório.
Imagem: Agência FAPESP

Uma pesquisa realizada na Universidade de Franca investiga uma fórmula que potencializa a ação de antissépticos contra o fungo Candida parapsilosis, resistente em ambientes hospitalares.

Um estudo inovador conduzido na Universidade de Franca (Unifran), com apoio da FAPESP, revelou uma possível combinação de ingredientes que aumenta a eficácia de antissépticos contra o fungo Candida parapsilosis, uma das principais causas de infecções em hospitais. A pesquisa, ainda não confirmada oficialmente por outras fontes, demonstra uma forte interação entre a tradicional clorexidina alcoólica a 0,5% e compostos naturais como eugenol e mentol, ambos encontrados em óleos essenciais.

Segundo a professora Regina Helena Pires, coordenadora do estudo, embora a clorexidina a 0,5% e o etanol a 70% já sejam considerados alguns dos agentes mais eficazes na eliminação de fungos, a união com fitoterápicos visa potencializar a ação antimicrobiana e reduzir efeitos colaterais, como o ressecamento da pele, comum com uso frequente de álcool na higienização. A professora destacou ainda que profissionais de saúde precisam higienizar as mãos várias vezes ao dia, o que aumenta o risco de desconforto e possíveis ferimentos na pele. "A composição que estamos desenvolvendo traz componentes de óleos essenciais justamente porque esses fitoterápicos também ajudam a hidratar a pele", explicou.

Os testes realizados in vitro — ou seja, em laboratórios — utilizaram amostras de fungos coletadas de mãos de 60 profissionais que atuavam em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) pediátrica e oncológica. Os resultados apontaram um forte sinergismo entre os compostos, indicando que a combinação pode ser mais eficaz contra o Candida parapsilosis, que costuma aderir tanto à pele humana quanto a superfícies plásticas, como dispositivos médicos. Ainda segundo a coordenadora, esses fungos apresentam grande resistência não só aos medicamentos, mas também aos desinfetantes convencionais, o que reforça a importância de novas abordagens no combate à infecção hospitalar.

Atualmente, a equipe da pesquisa trabalha com avaliações adicionais, incluindo testes de toxicidade em modelos vivos, como o de invertebrados Caenorhabditis elegans, buscando desenvolver formulações mais seguras e específicas para ambientes clínicos. Pires afirmou que os estudos continuam e que os resultados preliminares mostram promessas de uma alternativa que, além de ser mais eficiente, pode colaborar para evitar o ressecamento da pele de profissionais de saúde, facilitando a higiene diária sem prejuízo à integridade cutânea. A expectativa é que essas formulações possam ser futuramente utilizadas em protocolos de limpeza hospitalar, reduzindo a resistência do fungo e, consequentemente, o risco de infecções graves em pacientes.

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O que sabemos?

  • Estudo foi conduzido na Unifran com apoio da FAPESP.
  • Combinação de clorexidina, eugenol e mentol mostra forte efeito antimicrobiano.
  • Fungos usados nos testes foram coletados de mãos de profissionais de UTIs.
  • Pesquisadores buscam novas formulações para uso em ambientes de saúde.
  • A pesquisa está em fase de estudos complementares e testes de toxicity.

Fontes

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