Ciência

Especialista comenta a necessidade de mais pesquisa para o Brasil conquistar um Nobel

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Segundo ex-reitor, ampliar o número de pesquisadores é fundamental para avanços científicos de destaque internacional

Fernando Ferreira Costa durante entrevista explicando a importância da pesquisa científica
Imagem: Agência FAPESP

Fernando Ferreira Costa, ex-reitor da Unicamp, afirmou que o Brasil precisa de mais pesquisadores envolvidos em estudos para alcançar o Nobel de Ciências. Ele destacou exemplos de colaboração e a importância de formar mais talentos na área.

Em uma entrevista recente ao Centro de Memória da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), o hematologista Fernando Ferreira Costa afirmou que, para o Brasil conquistar um prêmio Nobel, o país precisa aumentar significativamente o número de pessoas envolvidas em pesquisa científica. Segundo ele, atualmente, o país possui profissionais qualificados, especialmente na área de hematologia, mas ainda há uma escassez de grupos de estudo grandes e colaborativos capazes de realizar descobertas de impacto internacional.

Costa, que foi reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e atualmente é professor titular de Hematologia e Hemoterapia na mesma instituição, explicou que sua experiência de pós-doutorado nos EUA, entre 1987 e 1989, na Escola de Medicina de Yale, lhe ensinou que a colaboração entre pesquisadores é fundamental para avanços científicos. Naquela época, ele participou de uma corrida internacional entre laboratórios de Yale, Universidade Johns Hopkins e Universidade de Boston, para identificar o gene responsável pela anemia falciforme. Essa competição, segundo ele, se transformou em uma disputa por colaboração, o que resultou no sucesso das pesquisas. "Eles eram competidores, mas colaboravam entre si," afirmou Costa.

O pesquisador reforça que, no caso do estudo da anemia falciforme, a convivência de diferentes times de pesquisa ajudou a publicar importantes descobertas, como a proteína anquirina. Contudo, ele esclarece que, mesmo assim, a descoberta do Nobel na área de transporte de água, liderada pelo americano Peter Agre com a descoberta das aquaporinas, mostra que para alcançar esses prêmios é preciso reunir uma equipe grande e de alta qualidade. "Você precisa ter gente boa e bastante gente trabalhando para ser capaz de descobrir coisas novas," destacou Costa.

Em sua trajetória, Costa não apenas fez contribuições importantes na pesquisa médica, mas também teve uma atuação marcante na administração acadêmica, tendo ocupado cargos como coordenador do Hemocentro, diretor da Faculdade de Ciências Médicas, pró-reitor de Pesquisa, coordenador-geral e reitor na Unicamp. Ele pontua que, para fortalecer o potencial brasileiro, é imprescindível formar mais pesquisadores, criar uma cultura de colaboração e ampliar o investimento em estudos científicos. Ainda não há confirmação de ações concretas nesse sentido, mas a mensagem do ex-reitor reforça a necessidade de ampliar a massa de pessoas dedicadas à ciência no país.

Segundo fontes da própria agência responsável pela reportagem, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, a ideia de que um maior envolvimento na pesquisa poderia impulsionar o Brasil rumo a prêmios internacionais ainda está em discussão e aguarda confirmação oficial de políticas públicas. A expectativa é de que o tema continue em debate no meio acadêmico e científico brasileiro, visto como estratégico para os próximos anos.

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O que sabemos?

  • Fernando Ferreira Costa afirmou que o Brasil precisa de mais gente fazendo pesquisa para conquistar um Nobel.
  • Costa destacou a importância de colaboração entre pesquisadores, com exemplo de Yale nos anos 80.
  • Ele reforçou que o Nobel exige equipe grande e de alta qualidade.
  • Costa teve origem acadêmica na FMRP-USP e atuou na Unicamp em cargos de destaque.

Fontes

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