Ciência

Dinossauros gigantes poderiam incubar ovos em latitudes altas, revela estudo na Argentina

Em apuração ?

Pesquisadores descobrem sinais de reprodução de titanossauros em regiões mais frias do planeta há milhões de anos

Fragmentos de ovos de dinossauro em escavação geológica na Argentina
Imagem: CNN Brasil

Fragmentos de cascas de ovos de titanossauros foram encontrados na Argentina, indicando que esses gigantes herbívoros podiam reproduzir-se em latitudes mais elevadas, além das áreas tropicalizadas. A descoberta levanta novas questões sobre suas estratégias de sobrevivência e migração.

Um estudo recente divulgado pela Universidade de Calgary, em Alberta, revelou que os maiores dinossauros que já existiram, os titanossauros, tinham a capacidade de se reproduzir em regiões de latitudes mais altas do planeta do que se imaginava anteriormente. Segundo a pesquisa, publicada no periódico Royal Society Open Science, fragmentos de cascas de ovos de titanossauros foram encontrados na formação geológica Chorrillo, no sul da Argentina, a cerca de 322 quilômetros ao norte do Estreito de Magalhães, tendo aproximadamente 68 milhões de anos de idade. Os fósseis, que totalizam 255 fragmentos, indicam que esses dinossauros chegaram a nidificar em latitudes entre 55 e 60 graus sul, numa região que, na época do final do Cretáceo, não possuía temperaturas tão amenas quanto hoje.

A descoberta surpreendente levanta a hipótese de que esses saurópodes, conhecidos pelo tamanho colossal, de pescoço comprido e cérebro relativamente pequeno, possam ter migrado por longas distâncias, vivendo em bandos que permaneciam através de milênios na mesma região ao longo de gerações. Segundo Darla Zelenitsky, paleontóloga e uma das principais autoras do estudo, “sabemos que seus ossos foram encontrados em locais tão ao sul quanto a Antártica e o sul da Argentina, bem como em regiões mais ao norte, como a Mongólia e Texas. É evidente que passaram algum tempo em áreas de latitudes mais altas, mas não se tinha certeza se também nidificavam nesses locais”.

Por se tratar de répteis de grande porte, os especialistas acreditam que os titanossauros não chocavam seus próprios ovos. Como afirmou Zelenitsky por e-mail, “seus tamanhos extremos provavelmente transformariam o ninho em uma espécie de ‘omelete gigante’, tornando improvável que eles cuidassem dos filhotes. Assim, era mais provável que botassem seus ovos e deixassem os embriões se desenvolverem sozinhos”. Os ovos, por sua vez, precisavam de calor para que os embriões se desenvolvessem e eclodissem, e a luz solar é mais escassa em regiões de altas latitudes. Para contornar essa limitação, os cientistas supõem que os titanossauros empregavam uma estratégia de nidificação semelhante à das aves atuais adaptadas a climas rigorosos, depositando os ovos em ninhos feitos de vegetação e solo, onde o calor gerado pela decomposição do material vegetal manteria as cascas úmidas o suficiente para a incubação.

Além dos fósseis na Argentina, a equipe de pesquisa destacou a importância de descobrir que esses ambientes de nidificação em latitudes elevadas representam o mais ao sul já conhecido para saurópodes no mundo. A análise dos fragmentos de casca indica que esses ovos apresentavam uma casca porosa, o que, se deixados expostos ao ar livre, poderia causar a perda de água e a morte dos embriões. Portanto, os ninhos provavelmente eram enterrados na areia, no solo ou na vegetação, mantendo a umidade necessária para a sobrevivência dos ovos. Segundo os pesquisadores, essa adaptação teria sido fundamental para que esses gigantes mantivessem sua reprodução bem-sucedida mesmo em regiões mais distantes do equador, onde as temperaturas eram menores na época.

Publicidade

O que sabemos?

  • Fragmentos de ovos de titanossauros foram encontrados na Argentina, datados de 68 milhões de anos.
  • Os fósseis indicam que esses dinossauros nidificavam em latitudes entre 55 e 60 graus sul.
  • A descoberta é a mais ao sul de ovos de dinossauro já registrada para saurópodes.
  • Titanossauros provavelmente não cuidavam dos ovos, deixando os embriões se desenvolverem sozinhos.
  • Eles poderiam ter migrado e nidificado em regiões mais frias, usando estratégias de nidificação adaptadas ao clima.

Fontes

Publicidade