Descoberta de objetos misteriosos no universo pode explicar duas questões astronômicas
Nova pesquisa com telescópio espacial Chandra revela fontes de raios-X de baixa energia e radiação ultravioleta intensa em galáxias
Cientistas descobriram uma nova classe de objetos celestiais que emitem raios-X de baixa energia e radiação ultravioleta, podendo ajudar a entender fenômenos do cosmos que ainda permanecem sem explicação.
Uma equipe de astrônomos utilizou o observatório de raios-X Chandra, da NASA, para identificar uma nova classe de objetos celestiais que desafiam o conhecimento atual. Segundo fontes da NASA, estes objetos, denominados 'hipersoft X-ray sources' (fontes de raios-X hiper-suaves), apresentam comportamentos inéditos: emitem raios-X de baixa energia mas irradiam intensamente em radiação ultravioleta. A descoberta foi publicada nesta semana na revista Nature Astronomy e já gera entusiasmo na comunidade científica, pois pode ajudar a esclarecer duas questões que há tempos intrigam os astrônomos.
A equipe liderada pelo pesquisador Mustafa Muhibullah, da Universidade do Alabama, explica que, até agora, ninguém havia observado um grupo de objetos que atuassem de tal forma. Foram mapeados ao todo 84 desses objetos em seis galáxias diferentes, incluindo a nossa Via Láctea, mas também galaxias distantes como a M31 (Galáxia de Andromeda) e a M101 (Galáxia do Pinwheel). Destes locais, alguns objetos estavam em regiões de formação de novas estrelas, enquanto outros foram encontrados em áreas de estrelas mais velhas, revelando um padrão ainda não compreendido completamente.
Segundo a pesquisa, esses objetos brilham em raios-X de baixa energia, que ficam na fronteira com a radiação ultravioleta no espectro eletromagnético. Por isso, os estudos indicam que eles também produzem altos níveis de radiação ultravioleta energética. Ainda não é claro qual o tipo de corpo celeste responsável por esse fenômeno, mas a hipótese mais aceita sugeria que esses objetos seriam sistemas binários compostos por um buraco negro, uma estrela de nêutrons ou uma anã branca puxando material de uma estrela companheira. Esse material, ao ser puxado, aquece e emite raios-X antes de cair na entidade compacta, processo já conhecido, mas com comportamentos inovadores nesse caso.
O que torna essa descoberta especialmente relevante é a possibilidade de esses sistemas binários com radiação ultravioleta intensa serem mais comuns do que se pensava anteriormente, permanecendo até então invisíveis para observações tradicionais. Como explica um dos autores, “essas fontes clandestinas de raios-X estão entre os objetos mais energéticos das galáxias, podendo ajudar a solucionar dois mistérios do universo simultaneamente”.
Entre essas questões, uma delas é a origem das explosões de supernovas do Tipo Ia, eventos extremamente importantes no estudo da expansão cósmica. Essas supernovas são usadas como “velas padrão” para medir o crescimento do universo, pois têm brilho bastante previsível, mas os astrônomos ainda buscam compreender qual tipo de sistema estelar realmente desencadeia essas explosões. Segundo Jimmy Irwin, também da Universidade do Alabama, “se conseguirmos prever ou detectar essas explosões antes de acontecerem, poderemos entender melhor o que as causa”. Além disso, os cientistas acreditam que esses objetos possam ajudar a esclarecer como gases interestelares perdem elétrons — um processo que influencia a formação de estrelas e o ciclo de vida das galáxias.
Vale destacar que a pesquisa ainda está em fase inicial, sendo que os pesquisadores aguardam por estudos complementares para confirmar esses achados e entender definitivamente qual o papel dessas fontes de raios-X. Como a descoberta é baseada em dados de arquivo acessíveis ao público, a expectativa é de que novas observações possam ampliar esse universo de objetos e quem sabe, revelar mais detalhes sobre seu impacto na evolução cósmica.
O que sabemos?
- Foram identificados 84 objetos em seis galáxias diferentes.
- Os objetos emitem raios-X de baixa energia e radiação ultravioleta.
- A descoberta foi publicada na revista Nature Astronomy.
- Podem estar relacionados a sistemas binários com buracos negros, estrelas de nêutrons ou anãs brancas.
Fontes
- NASA fonte oficial





