Cientistas criam os primeiros cães geneticamente modificados para serem hipoalergênicos
Experimento inédito busca oferecer uma alternativa para pessoas alérgicas a cães, mas ainda sem confirmação de aprovação regulatória
Dois beagles com a proteína responsável pela alergia eliminada via edição genética nasceram em Nova York, em uma tentativa de desenvolver cães adequados para famílias sensíveis a alergias.
Cientistas de uma empresa de tecnologia genética anunciaram a criação dos primeiros cães do mundo com edição genética voltada para reduzir a alergia a animais de estimação. Segundo informações divulgadas, duas cachorras da raça beagle, chamadas Alfie e Bailey, nasceram em setembro de 2024, em Nova York, após passarem por um procedimento inovador que eliminou a produção da proteína Can f 1, principal responsável pela reação alérgica em muitos indivíduos.
A técnica utilizada é baseada na tecnologia CRISPR-Cas9, um método que permite editar genes de forma precisa. Segundo os pesquisadores, essa proteína, presente principalmente na saliva dos cães e que pode chegar ao pelo e à pele, provoca reações alérgicas em cerca de 15% da população, podendo contribuir para o desenvolvimento de rinite, asma e outros problemas respiratórios. O objetivo do estudo é criar animais mais compatíveis com pessoas alérgicas, sem que elas precisem abrir mão de ter um cachorro como animal de estimação.
Segundo a fonte, as duas cachorras foram criadas a partir de células de raça beagle que tiveram o gene responsável pela produção de Can f 1 removido. O procedimento envolveu a transferência nuclear de células somáticas e a utilização de 25 embriões, dos quais apenas Alfie e Bailey se desenvolveram até o nascimento. Os animais, que pesaram aproximadamente 320 gramas ao nascer, não apresentaram anormalidades congênitas, e permanecem sob acompanhamento veterinário, recebendo os cuidados habituais.
Para verificar se a proteína havia sido realmente eliminada, foram feitas análises em saliva e pelos dos cães, que confirmaram a ausência de Can f 1 nos animais modificados. Além disso, um teste cutâneo realizado em um adulto sensibilizado à proteína buscou avaliar se a ausência da proteína poderia reduzir reações alérgicas: enquanto a pessoa reagiu a extratos de cães não modificados, não foi detectada nenhuma reação aos extratos dos cães geneticamente alterados. Ainda assim, os pesquisadores alertam que este resultado é preliminar e não garante que os cães serão completamente isentos de causar alergias, já que a experiência foi feita com apenas uma pessoa e alergias podem ser relacionadas a diferentes proteínas.
A iniciativa, que ainda é experimental, não foi avaliada pela Agência Reguladora de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA), segundo a fonte. O estudo foi publicado na revista científica The CRISPR Journal e representa uma etapa inicial na busca por soluções que tornem os cães mais acessíveis para quem sofre com alergias. Como a técnica envolve modificações no DNA, o clube ainda não confirmou se haverá aprovação para uso generalizado ou comercialização dos animais.
O que sabemos?
- Cachorras foram criadas usando edição genética CRISPR-Cas9.
- Eliminada a proteína Can f 1, principal causa de alergia.
- Nascimentos ocorreram em setembro de 2024, em Nova York.
- Resultado do teste cutâneo mostrou ausência de reação na pessoa sensibilizada.
Fontes
- CNN Brasil imprensa





