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Estudo revela que sulcos de carroça em Malta remontam à Era Clássica

Em apuração ?

Pesquisadores identificam marcas no calcário das ilhas como vestígios de mais de dois mil anos

Sítios arqueológicos em Malta com marcas de sulcos na rocha de calcário.
Imagem: Aventuras na História

A partir de um levantamento extenso, arqueólogos indicam que sulcos de carruagens eram utilizados na ilha de Malta há cerca de 2.000 anos, durante o Período Clássico.

Um estudo recente realizado por arqueólogos da Universidade de Malta trouxe uma nova perspectiva sobre as marcas visíveis no calcário das ilhas de Malta e Gozo. Segundo a pesquisa, essas marcas, conhecidas como sulcos de carroça, teriam sido produzidas durante o Período Clássico, que abrange aproximadamente de 750 a.C. até 870 d.C. A descoberta reforça a hipótese de que as vias de circulação na região remontam a mais de dois milênios, sendo uma importante pista para entender a ocupação e a estrutura de transporte da época.

O levantamento, conduzido pelo arqueólogo Joel Grima e divulgado pelo periódico Journal of Archaeological Science: Reports, totalizou o mapeamento de 2.628 trilhas distintas ao longo de cerca de 50 quilômetros de território, incluindo as ilhas de Malta e Gozo. Para identificar a origem e a idade dessas marcas, o pesquisador utilizou modelagem tridimensional de sítios arqueológicos por meio de drones, câmeras terrestres, além de dados provenientes de escavações, plantas e imagens de satélite. Apesar de as marcas estarem cravadas na rocha de calcário, o método de datação ainda é complexo, pois não há camadas de sedimentos que permitam uma datação direta; a idade é estimada por estruturas sobrepostas que indicam os períodos de uso.

Nos sítios arqueológicos preservados, há evidências de que muitas dessas trilhas atravessavam áreas de uso diferente, como sepulturas romanas e pedreiras antigas. Em Mdina, por exemplo, um par de trilhas corre por baixo de sete camadas de pavimentação romana, enquanto em Marsa, registros históricos de 1794 mostram sulcos impressos em lajes de acesso a um antigo armazém romano. Os pesquisadores também notaram como muitas rotas foram seções por atividades de extração mineral, especialmente em locais onde pedreiras avançaram sobre as trilhas pré-existentes, ou foram desgastadas pelo uso contínuo ao longo dos séculos.

Além disso, a presença de sepulturas romanas e púnicas cortando algumas dessas marcas indica que as rotas de circulação e os cemitérios coexistiram durante a ocupação romana, reforçando uma teoria de que as vias continuaram sendo usadas ou foram adaptadas ao longo do tempo. Ao todo, mais de 1.690 sepulturas mapeadas foram encontradas próximas a trilhas, com uma proporção de cerca de 34% estando a menos de 50 metros dessas rotas de circulação, um dado que sugere forte ligação entre trajetos e locais de sepultamento. Apesar de ainda não haver confirmação oficial do intervalo exato de uso dessas rotas, o estudo aponta para uma forte presença dessas marcas na Era Clássica, tornando-as testemunho de uma época de intenso movimento na ilha, ainda hoje invisível na história oficial.

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O que sabemos?

  • As marcas de sulcos foram feitas na rocha de calcário de Malta e Gozo.
  • O estudo sugere que essas marcas são de cerca de 2.000 anos de idade, do Período Clássico.
  • Mais de 2.600 trilhas foram catalogadas em um raio de 50 km na região.
  • As marcas estão frequentemente próximas de sepulturas e pedreiras antigas.
  • A técnica de datação direta ainda não é possível, mas as evidências apontam para a Era Clássica.

Fontes

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