Brasil

Brasil e o valor de quem age com ética na sociedade

Em apuração ?

Especialista comenta a ausência de reconhecimento aos cidadãos cumpridores de suas obrigações fiscais e morais.

Pessoa segurando documentos fiscais com expressão de reflexão
Imagem: Folha de S.Paulo

Debate surge após elevação de incentivos para inadimplentes e uma crítica à valorização de desvios no Brasil, ressaltando a necessidade de premiar boas ações.

Segundo uma análise do pesquisador do IEA-USP, que também atua como professor de pós-graduação, o Brasil costuma valorizar quem se desvia da lei mais do que quem age corretamente. O especialista, que é engenheiro civil, doutor em história econômica e pós-doutor em sociologia pela USP, comenta que o país premia com leniência indivíduos e entidades que deixam de pagar impostos, enquanto quem garante suas obrigações fiscais por anos seguidos não recebe qualquer reconhecimento. "Quem pagou impostos em dia por uma década, por exemplo, nem mesmo recebe um agradecimento ou benefício, enquanto os que atrasam e fazem acordos de parcelamento são acolhidos como vítimas das circunstâncias", ressaltou uma fonte ainda não confirmada oficialmente. De acordo com o especialista, clubes de futebol, por exemplo, frequentemente deixam de pagar o Refis — programa de recuperação fiscal — na esperança de que novos incentivos venham a surgir, numa espécie de rotina que favorece a inadimplência. Além disso, advogados tributaristas estimulam clientes a não saldar dívidas, esperando por futuros acordos indulgentes, como o desenrolar do programa Desenrola. Essa cultura de impunidade, na visão do pesquisador, faz parte de uma sociedade que valoriza o desvio e ignora os princípios éticos básicos, com uma referência à frase do romano Marco Túlio Cícero, "O tempora, o mores!" — frase que parece fazer sentido nos dias atuais.

O especialista ainda cita a filósofa norte-americana Martha Nussbaum, que em seu livro "A Fragilidade da Bondade" demonstra como o justo, no sentido de fazer o que é correto, muitas vezes é desvalorizado na sociedade. Para ele, a falta de reconhecimento a quem mantém suas obrigações fiscais e morais contribui para um cenário distópico, onde a bondade se torna algo pouco relevante. "Quem paga seus impostos em dia, sem multas ou atrasos, deveria, sim, ter benefícios, como descontos progressivos no IPTU ou deduções no IPVA, como forma de valorizar a ética e a responsabilidade", afirma. O especialista defende que premiar quem age corretamente é uma maneira mais eficaz de promover justiça e uma sociedade mais ética do que campanhas de marketing que simplesmente tentam melhorar a imagem pública de determinadas instituições. Para ele, a mudança de atitude só acontecerá quando sociedade e poder público passarem a valorizar e enaltecer exemplos de cidadania e cumprimento das leis, seguindo princípios morais universais, como o imperativo categórico de Kant — "Age apenas segundo uma máxima que queira que se torne lei universal" — ou o mandamento bíblico de amar ao próximo. Apesar de ainda não haver confirmação oficial, a análise aponta para uma reflexão profunda sobre os valores que somos incentivados a seguir.

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O que sabemos?

  • Brasil valoriza quem se desvia da lei e penaliza quem cumpre suas obrigações.
  • Clubes de futebol frequentemente deixam de pagar o Refis na esperança de novos incentivos.
  • Advogados estimulam clientes a não quitar dívidas, preferindo acordos futuros.
  • Quem paga impostos em dia por anos fica sem reconhecimento ou benefícios.
  • Especialista critica a sociedade por não valorizar a ética e a moralidade.

Fontes

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