Brasil

Brasil emerge como centro na disputa global por minerais estratégicos

Em apuração ?

Investimentos e tensões envolvem as terras raras brasileiras em meio à corrida mundial por tecnologia

Mapa do Brasil destacando reservas minerais de terras raras
Imagem: G1

O Brasil, com a segunda maior reserva mundial de minerais críticos, enfrenta uma crescente atenção internacional. Recentemente, o governo aprovou R$ 77,5 milhões para um centro de terras raras em Poços de Caldas, enquanto a disputa por esses recursos influencia a geopolítica global, especialmente entre EUA e China.

Nos últimos dias, o Brasil tem se colocado no centro de uma das disputas mais estratégicas do cenário mundial: a competição por minerais críticos, essenciais para o desenvolvimento de tecnologias avançadas e energias renováveis. Segundo informações divulgadas, o Governo brasileiro aprovou um investimento de R$ 77,5 milhões para a criação de um centro dedicado às terras raras em Poços de Caldas (MG). A iniciativa ocorreu pouco antes do Senado aprovar a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, reforçando o interesse do país nesse setor. Ainda não há confirmação oficial de que o valor será totalmente destinado à operação do centro, mas a movimentação indica um esforço do Brasil para ampliar sua participação nesse mercado. As terras raras, na verdade um conjunto de 17 minerais diferentes, são fundamentais para a fabricação de chips avançados, componentes de Inteligência Artificial, veículos elétricos, turbinas eólicas e até equipamentos militares. Apesar de possuírem as segundas maiores reservas conhecidas do mundo, o Brasil ainda explora pouco esse potencial, o que tem despertado o interesse de investidores estrangeiros, sobretudo norte-americanos.

Segundo fontes especializadas, a concentração do mercado de minerais críticos na China — responsável por cerca de 90% do processamento desses minerais — faz com que as potências mundiais busquem alternativas para reduzir sua dependência do país asiático. A estratégia dos Estados Unidos, por exemplo, inclui garantir acesso a fontes alternativas na América do Sul, região que eles consideram de influência vital na sua política externa. O conceito é reforçado pelo fato de o governo americano classificar as Américas como parte de sua zona de influência e buscar manutenção de sua preponderância na região, controlando recursos estratégicos como o petróleo na Venezuela e minerais no Brasil. Essa postura é formalmente sustentada pela Estratégia Nacional de Defesa dos EUA, que aponta as terras raras brasileiras como potencial fonte de suprimento para sua indústria tecnológica.

As tensões entre Brasil e Estados Unidos não são recentes. Recentemente, o país sofreu tarifas e restrições comerciais relacionadas às exportações brasileiras de minerais críticos, além de dificuldades na renegociação dessas tarifas. Ainda segundo fontes, a venda recente da única empresa de exploração de minerais críticos no Brasil, a Serra Verde, foi concluída por uma companhia americana na qual o governo dos EUA possui participação. A operação despertou atenção, embora o Brasil ainda não tenha se manifestado oficialmente sobre o caso. Segundo especialistas, o aumento nas solicitações de licenças para exploração de reservas de minerais críticos também é uma tendência, com destaque para empresas estrangeiras oriundas de países como Canadá, Austrália e os Estados Unidos.

O cenário é portanto marcado por uma disputa de alto valor estratégico, cujos desdobramentos podem impactar o desenvolvimento tecnológico global e a influência geopolítica de várias nações. O Brasil, detentor de reservas importantes, parece estar em uma encruzilhada: aproveitar sua riqueza mineral e fortalecer sua presença na cadeia de suprimentos global, ou deixar-se influenciar por interesses externos, especialmente dos Estados Unidos e China. Ainda não há uma posição oficial definitiva do governo brasileiro, que permanece atento às negociações e às decisões de ampliação de sua exploração mineral. O que se sabe é que a corrida por terras raras e minerais críticos envolve mais do que simples recursos minerais; trata-se de quem controlará as tecnologias do futuro e o poder econômico nas próximas décadas.

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O que sabemos?

  • Brasil possui as segundas maiores reservas de minerais críticos do mundo.
  • Governo aprovou R$ 77,5 milhões para centro de terras raras em Poços de Caldas.
  • Disputa geopolítica envolve EUA, China e países latino-americanos.
  • Venda recente da empresa de exploração de minerais críticos no Brasil para uma companhia americana.

Fontes

  • G1 imprensa
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