Tecnologia

Tecnologia de leitura cerebral melhora interação humano-máquina, mas ainda está em fase experimental

Em apuração ?

Sistema desenvolvido por pesquisadores sul-coreanos tenta entender quando a IA erra na interpretação de objetivos humanos

Ilustração de sinais cerebrais sendo analisados por um sistema de inteligência artificial
Imagem: Olhar Digital

Pesquisadores do KAIST e Microsoft Research Asia criaram uma tecnologia que usa sinais cerebrais para ajudar inteligências artificiais a compreenderem melhor as intenções humanas, mesmo quando estas são ambíguas.

Uma inovação na área de inteligência artificial e interfaces cérebro-computador promete melhorar a forma como máquinas interpretam as ações humanas. Segundo uma fonte que acompanha o desenvolvimento, pesquisadores do Korea Advanced Institute of Science and Technology (KAIST), em cooperação com a Microsoft Research Asia, criaram uma tecnologia chamada Neural Value Alignment (NVA), que tenta identificar, a partir de sinais cerebrais captados por eletroencefalografia (EEG), se a IA entendeu corretamente a intenção de uma pessoa ou se cometeu um erro na interpretação.

O funcionamento da NVA baseia-se na análise de padrões das ondas cerebrais durante a interação entre humanos e máquinas. Segundo os pesquisadores, há um problema recorrente nessa relação: uma mesma ação pode ter objetivos diversos. Por exemplo, pegar uma xícara pode significar beber, entregar, lavar ou simplesmente mover o objeto de lugar, dependendo do que a pessoa realmente deseja fazer. Da mesma forma, a intenção de matar a sede pode levar à busca por água de várias formas. Essa ambiguidade às vezes leva sistemas de IA a interpretarem mal o objetivo do usuário, mesmo que a ação em si seja compreendida corretamente. A novidade da pesquisa é que, ao analisar os sinais cerebrais, o sistema consegue distinguir se a IA entendeu o objetivo, mas errou na estratégia (“você entendeu meu objetivo errado”), ou se acertou a intenção, mas adotou uma abordagem diferente do esperado (“você entendeu, mas fez do jeito errado”).

Segundo a fonte, durante os testes, os sinais captados no EEG permitiram que o sistema classificasse essas respostas em tempo real, ajustando seu comportamento com maior rapidez do que abordagens anteriores em situações de incerteza, como mudanças repentinas no objetivo ou na ausência de algumas informações neural. Os pesquisadores acreditam que essa tecnologia pode ser especialmente útil em aplicações que envolvam a convivência próxima entre humanos e robôs, como assistentes domésticos, robôs industriais, veículos autônomos que dependem do julgamento do motorista, além de sistemas médicos voltados à reabilitação e à educação. Com ela, um robô, por exemplo, poderia perceber que interpretou uma instrução de forma incorreta e agir por conta própria para corrigir sua ação, sem esperar uma nova orientação verbal, potencialmente facilitando tarefas diárias.

Sang Wan Lee, professor do KAIST responsável pela pesquisa, afirmou que o avanço mostra que a inteligência artificial pode ir além da simples interpretação de comportamentos observáveis, utilizando sinais cognitivos diretos do cérebro durante as interações. Contudo, a fonte nota que a tecnologia ainda está em estágio inicial e não há evidências de que humanos poderão apenas pensar que uma máquina está fazendo algo errado e, de imediato, fazê-la parar. Ainda não há confirmação oficial de que essa capacidade esteja próxima de ser implementada de forma geral, e o desenvolvimento, segundo fontes, ainda enfrenta desafios técnicos a serem superados.

De acordo com a fonte, essa inovação é bastante promissora, mas ainda não confirmada oficialmente em sua aplicação prática na vida cotidiana. Especialistas alertam que, por enquanto, ela estaria mais próxima de um protótipo experimental do que de uma tecnologia comercializada. Ainda assim, o avanço aponta para um futuro em que a interação entre humanos e máquinas pode se tornar ainda mais intuitiva e responsiva, especialmente em setores que envolvem cuidados e assistências pessoais ou profissionais, onde a compreensão da intenção verdadeira do usuário é fundamental.

Publicidade

O que sabemos?

  • Sistema usa sinais cerebrais (EEG) para interpretar intenções humanas.
  • Sistema distingue entre erro de compreensão (RPE) e erro de estratégia (SPE).
  • Aplicações potenciais incluem robótica doméstica, industrial e veículos autônomos.
  • Tecnologia em fase de pesquisa, ainda não confirmada oficialmente para uso comercial.

Fontes

Publicidade