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Desvendando a história do navio Clotilda e sua conexão com a comunidade de Africatown

Em apuração ?

O último navio negreiro dos Estados Unidos, sua destruição e o legado de resistência dos sobreviventes

Ilustração do navio Clotilda e a comunidade de Africatown
Imagem: Aventuras na História

A história do Clotilda, o último navio negreiro americano, revela episódios marcantes de clandestinidade, resistência e formação de uma comunidade afrodescendente nos EUA. A embarcação foi destruída após a chegada ilegal de africanos escravizados ao Alabama, marcando um capítulo importante na luta contra a escravidão.

Segundo informações ainda não confirmadas oficialmente, a história do navio Clotilda, conhecida como o último navio negreiro a chegar aos Estados Unidos, ainda desperta interesse e curiosidade de pesquisadores e da comunidade afro-americana. A embarcação, que chegou ao Alabama em 9 de julho de 1860, transportou 103 africanos capturados na costa da África Ocidental, no Reino de Daomé, atual Benim, numa operação ilegal, já que o Congresso dos EUA tinha proibido o comércio de pessoas escravizadas desde 1808.

De acordo com a fonte, o capitão William Foster ancorou o Clotilda na costa do Alabama, após uma viagem de aproximadamente seis semanas. Antes de chegar ao destino, Foster tinha aprisionado inicialmente 125 pessoas, mas, temendo ser descoberto, partiu com apenas 110, incluindo principalmente crianças, adolescentes e jovens adultos. Para esconder a operação, Foster construiu um falso convés na embarcação, que era originalmente uma escuna de 26 metros usada para transporte de madeira. A partir de Ouidah, na África, o navio partiu em direção aos EUA, enfrentando condições difíceis e levando à morte de sete pessoas durante a travessia.

Após o desembarque, Foster e seus parceiros transportaram os africanos até um barco fluvial no Alabama, onde eles foram redistribuídos. Segundo fontes, Foster tentou apagar as evidências do crime, incendiando o Clotilda assim que deixou a baía de Mobile. Ainda assim, décadas depois, os restos do navio foram localizados e identificados, algo que ajudou a confirmar sua história. Após a guerra civil e a luta por liberdade, os sobreviventes, impossibilitados de retornarem à África, criaram uma comunidade chamada Africatown, ao norte de Mobile, onde preservaram costumes e tradições africanas, além de desenvolver uma cultura própria com casas, igrejas e tradições linguísticas.

Entre os integrantes dessa comunidade estavam nomes conhecidos como Cudjo Lewis, Sally “Redoshi” Smith e Matilda “Àbáké” McCrear. Esses primeiros habitantes viveram em Africatown por décadas, com Lewis chegando aos 95 anos de idade, em 1935, e Smith e McCrear falecendo em 1937 e 1940, respectivamente. Segundo a mesma fonte, a comunidade chegou a alcançar cerca de 12 mil habitantes em seu auge, mas os detalhes sobre seus últimos sobreviventes ainda aguardam confirmação oficial. A história do Clotilda, portanto, representa não apenas uma tragédia, mas um capítulo de resistência e fortalecimento de uma comunidade que enfrenta os efeitos históricos do tráfico transatlântico até os dias atuais.

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O que sabemos?

  • Clotilda chegou ao Alabama em 1860 com 103 africanos escravizados
  • A operação foi ilegal, já que o comércio de escravos nos EUA foi proibido desde 1808
  • O navio foi incendiado por Foster após o desembarque para esconder a clandestinidade
  • Os sobreviventes criaram a comunidade de Africatown, preservando suas raízes africanas
  • Os restos do Clotilda foram localizados décadas após a sua destruição

Fontes

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