Descoberta de nova espécie de anfíbio no Rio de Janeiro leva homenagem a mulheres e símbolo de preservação
Nome da espécie, ‘Maria’, celebra popularidade do nome e história de mulheres envolvidas na reflorestação da Tijuca
Uma nova espécie de anfíbio, chamada Siphonops maria, foi identificada no Rio de Janeiro. A escolha do nome homenageia tanto a popularidade do nome quanto mulheres escravizadas que participaram do reflorestamento na região da Tijuca.
Uma equipe de pesquisadores anunciou recentemente a descoberta de uma nova espécie de anfíbio do grupo conhecido como cecílias, popularmente chamados de cobra-cega, no Rio de Janeiro. Batizada de Siphonops maria, a espécie tem como objetivo popularizar e valorizar esses animais, que ainda são pouco conhecidos até mesmo entre especialistas na área. Segundo fontes da Agência FAPESP, a novidade veio após anos de coleta e análises genéticas.
O holótipo, ou seja, o exemplar de referência da nova espécie, foi coletado em 2015 no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, na região serrana do Rio de Janeiro, e está depositado no Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG). A surpresa aconteceu quando o pesquisador responsável pela análise, que inicialmente pensava tratar-se de uma espécie já conhecida, percebeu, ao examinar suas características morfológicas e realizar sequenciamento genético, que se tratava de uma linhagem distinta. Essa confirmação veio quando comparou o exemplar com outros registros históricos, incluindo um coletado em 1902 na mesma região.
A escolha do nome ‘Maria’ foi feita como uma homenagem não só à mulher mais popular do Brasil, mas também a um grupo de 11 mulheres escravizadas que, entre 1861 e 1874, participaram ativamente do reflorestamento na floresta da Tijuca. Essas mulheres contribuíram para o plantio de mais de 100 mil árvores na área, que hoje faz parte do Parque Nacional da Tijuca — reconhecido como a maior floresta urbana replantada do mundo. Segundo Adriano Oliveira Maciel, do Museu Paraense Emilio Goeldi, “todo mundo conhece uma Maria, minha mãe, minhas tias, e por isso achei que seria uma homenagem significativa.”
O trabalho, apoiado pela FAPESP e publicado no Zoological Journal, utilizou ferramentas de microtomografia e análises genéticas para diferenciar a nova espécie de outras semelhantes, já que as características externas dos espécimes de diferentes espécies de cecílias são bastante similares. Especialistas destacam que a morfologia é difícil de distinguir a olho nu, exigindo assim estudos detalhados e comparativos que podem levar anos. Pesquisadores continuam aguardando a confirmação de outros exemplares e análises adicionais para ampliar o entendimento sobre essa novidade na história da fauna brasileira.
O que sabemos?
- A nova espécie de anfíbio foi batizada de Siphonops maria.
- O exemplar holótipo foi coletado em 2015 no Parque Nacional da Serra dos Órgãos.
- A escolha do nome homenageia uma mulher envolvida no reflorestamento da Tijuca e a popularidade do nome Maria.
- Foram utilizados métodos genéticos e de microtomografia para diferenciar a espécie de outras similares.
- A descoberta busca valorizar animais pouco conhecidos e relembrar histórias de mulheres na história do Brasil.
Fontes
- Agência FAPESP fonte oficial





