Mudanças climáticas na Amazônia podem afetar 2,6% da receita da Natura em 2025, aponta estudo
Relatório da empresa revela riscos econômicos ligados ao aquecimento do bioma e agressões ao meio ambiente.
A Natura estima que a deterioração da Amazônia ameaça R$ 584 milhões em vendas futuras, refletindo vulnerabilidades na sua cadeia de suprimentos de ingredientes naturais.
Segundo informações divulgadas nesta terça-feira (6), a Natura calcula que as mudanças climáticas na região amazônica possam colocar em risco até 2,6% de sua receita líquida prevista para 2025, o que equivale a cerca de R$ 584 milhões em vendas. O dado faz parte de um relatório que avalia os riscos e oportunidades que a sustentabilidade apresenta para a companhia, destacando os efeitos da vulnerabilidade do bioma onde a empresa extrai ingredientes utilizados em seus produtos.
Conforme o relatório ao qual a reportagem teve acesso, a Natura utiliza três ingredientes provenientes da floresta amazônica: castanha-do-pará, cupuaçu e murumuru. Essas matérias-primas têm suas cadeias de suprimento consideradas sensíveis a eventos extremos, como secas severas e períodos de estresse hídrico. A análise aponta que tais fatores climáticos, especialmente influenciados por fenômenos como o El Niño – quando as águas do Pacífico atingem temperaturas acima da média, provocando secas na região –, podem impactar significativamente a produtividade dessas fontes.
A avaliação da empresa também abordou diferentes cenários futuros de aquecimento global, incluindo o de maior risco, que prevê um aumento entre 2,6°C e 4,4°C. O relatório destaca que, mesmo com metas internacionais de redução de emissões, como as do Acordo de Paris, o limite de 1,5°C de aumento já é considerado praticamente inalcançável. Os efeitos dessas variações de temperatura sobre a floresta, a biodiversidade e, por consequência, sobre a cadeia de suprimentos da Natura, ainda não possuem uma previsão definitiva, mas são considerados fatores de grande preocupação na estratégia da empresa para o futuro.
De acordo com o documento, impactos históricos na produtividade dos ingredientes já foram observados, decorrentes de mudanças na dinâmica de chuva, além de eventos de estresse hídrico que, por sua vez, agravaram as condições de cultivo e extração na floresta. A Natura realiza uma análise detalhada sobre os riscos na cadeia de suprimentos e busca adotar medidas para mitigar os efeitos dessa vulnerabilidade ambiental, que se torna também uma questão de sustentabilidade e responsabilidade social.
Embora ainda não haja uma posição oficial do clube ou da organização pública sobre os dados divulgados, a preocupação com o impacto das mudanças climáticas na economia e na biodiversidade da Amazônia ganha destaque. Especialistas afirmam que ações globais de combate ao aquecimento do planeta são essenciais, já que eventos como o El Niño tendem a se tornar mais frequentes ou intensos à medida que o clima global aquece. Assim, o relatório da Natura reforça a necessidade de políticas eficazes de proteção à floresta e de esforços conjuntos para evitar que o aumento das temperaturas ultrapasse os limites considerados seguros pelas ciências ambientais.
O que sabemos?
- A Natura estima que mudanças climáticas na Amazônia podem colocar em risco R$ 584,2 milhões em vendas até 2025.
- O impacto relevante é relacionado aos ingredientes castanha-do-pará, cupuaçu e murumuru.
- Fenômenos como o El Niño têm efeitos negativos na produtividade dessas matérias-primas.
- O relatório analisa cenários de aquecimento global até 4,4°C, embora a meta de 1,5°C já seja considerada inalcançável.
- São considerados riscos de secas intensas e estresse hídrico no bioma amazônico.
Fontes
- UOL Notícias imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa





