Mercado de seguros contra inadimplência em alta diante de riscos ligados à inteligência artificial
Investidores buscam proteção contra o aumento do risco de crédito no setor de IA, impactando ações e títulos de empresas tecnológicas
O custo do seguro contra inadimplência no setor de tecnologia atingiu recordes históricos nesta quinta-feira (15), com o temor de que o crescente endividamento acabe atingindo empresas de inteligência artificial. Dados evidenciam uma preocupação global com os riscos financeiros dessas companhias.
Nesta quinta-feira (15), o mercado de seguros contra inadimplência no setor de tecnologia atingiu níveis históricos, segundo informações de uma única fonte do setor financeiro. O incremento se deve à preocupação crescente com o risco de crédito de empresas ligadas à inteligência artificial (IA), especialmente por conta do elevado endividamento dessas companhias e a incerteza sobre os lucros futuros.
Um dos principais destaques do dia foi a disparada nos spreads de Credit Default Swaps (CDS) de cinco anos para a CoreWeave, empresa especializada em data centers e considerada uma das mais endividadas do setor, que superou 1.100 pontos-base, conforme dados da S&P Global Market Intelligence. Ainda segundo essa fonte, o rendimento de um título da CoreWeave com vencimento em 2031 chegou a atingir 16%, antes de recuar para aproximadamente 14%. Além disso, o CDS da Nvidia, gigante do mercado de chips e também com alto endividamento, aproximou-se de 300 pontos-base, aumento de cerca de 31 pontos nesta semana, refletindo preocupações semelhantes dos investidores.
O mercado demonstra sinais de vulnerabilidade, com empresas como a SpaceX e a italiana STMicroelectronics também apresentando aumentos acentuados nos riscos de inadimplência. Kathleen Brooks, diretora de pesquisa de uma corretora, afirmou que “o CoreWeave está rapidamente se tornando o canário na mina de carvão do setor de IA” e que “seus títulos sofreram uma forte desvalorização, indicando uma possível fuga de investidores da narrativa de investimento em IA, que incluiu uma emissão maciça de dívida para financiar as ambições em tecnologia”.
O aumento na receita trimestral de uma importante desenvolvedora de IA, que cresceu 45% para US$ 16,8 bilhões, não foi suficiente para acalmar os ânimos do mercado, reforçando que a situação econômica dessas empresas permanece delicada. Ainda segundo um participante de uma reunião pré-IPO em São Francisco, essa forte alta de receita não conseguiu justificar o aumento do risco financeiro percebido pelos investidores. Os spreads de CDS, que indicam o custo de proteção contra inadimplência, passaram a refletir uma avaliação de risco de 64% de inadimplência em cinco anos para a CoreWeave, o que é quase o dobro do risco — cerca de 30% — detectado há um ano.
Ao longo desta semana, declarações de líderes do setor também contribuíram para essa tendência. O CEO da Broadcom, uma grande fabricante de componentes tecnológicos, comparou a corrida mundial por investimentos em IA a “jogos de cassino”, trazendo um tom de alerta ao mercado. Na quinta-feira, as ações da CoreWeave caíram mais 2%, ampliando uma perda de 15% na quarta-feira, o que, em dois dias, consumiu quase um quinto do valor da empresa, segundo informações prioritariamente fornecidas pela CNN Brasil, aguardando confirmação de outras fontes. Essa forte baixa representa um sinal de que, apesar do otimismo inicial com o setor, os investidores estão cada vez mais cautelosos diante do elevado endividamento e das incertezas de retorno financeiro a curto prazo.
O que sabemos?
- O custo do seguro contra inadimplência no setor de tecnologia atingiu recordes na quinta-feira (15).
- O spread de CDS de cinco anos para a CoreWeave superou 1.100 pontos-base, indicando alto risco de inadimplência.
- Titular da CoreWeave com vencimento em 2031 chegou a render cerca de 16%.
- A Nvidia mostrou aumento de cerca de 31 pontos no spread de CDS nesta semana, elevando preocupações com o endividamento.
- Declarações de líderes do setor e altas na receita de empresas de IA não foram suficientes para evitar a alta no risco percebido pelos investidores.
Fontes
- CNN Brasil imprensa




