Tecnologia

Justiça adia decisão sobre restrição de startup de IA jurídica após pedido da OAB-SP

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Decisão nesta quarta-feira não suspende imediatamente os serviços da Enter, que desenvolve tecnologia para o setor jurídico.

Fachada do prédio da OAB-SP na região central de São Paulo.
Imagem: Folha de S.Paulo

A Justiça Federal de São Paulo decidiu adiantar a análise sobre o pedido da OAB-SP para restringir a operação da startup de inteligência artificial Enter, cujos serviços são utilizados por departamentos jurídicos de grandes empresas.

Na manhã desta quarta-feira (21), a Justiça Federal de São Paulo tomou uma decisão que chamou a atenção do setor de tecnologia e do meio jurídico. A juíza Raquel Fernandez Perrini, da 4ª Vara Cível Federal, rejeitou, até o momento, o pedido da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) para suspender de imediato os serviços de uma startup de inteligência artificial dedicada ao setor jurídico, a Enter. Segundo a magistrada, essas restrições só poderão ser analisadas após a produção de provas, o que ainda não aconteceu.

A Enter, avaliada em US$ 1,2 bilhão e fundada em 2023, desenvolve agentes de inteligência artificial utilizados por departamentos jurídicos de grandes corporações. A tecnologia permite acompanhar processos cíveis e trabalhistas, analisar dados e até identificar fraudes. A companhia, até o momento, não se pronunciou oficialmente após a decisão, mas fontes próximas indicam que ela foi orientada a preservar contratos, registros de uso de seus modelos de IA e demais documentos desde janeiro de 2024. Além disso, a juíza determinou que a startup forneça dados relacionados à remuneração, à distribuição de processos a advogados e aos critérios utilizados para determinar o sucesso de suas operações, embora sem a obrigação de entregá-los neste momento.

Segundo a decisão, a análise sobre eventual intervenção na operação da empresa depende de uma fase de produção de provas, onde as duas partes, tanto a OAB-SP quanto a Enter, terão oportunidade de se manifestar e esclarecer as questões levantadas. Ainda assim, ela ressaltou que a ordem de preservação dos documentos tem caráter estritamente conservativo, sem a obrigatoriedade de entrega imediata por parte da startup à Ordem, que havia solicitado essa entrega com base em suas alegações.

Esse episódio demonstra o atual embate entre uma entidade reguladora, como a OAB, que busca limitar atividades que ela entende exercerem funções privativas da advocacia, e uma startup de tecnologia que oferece serviços inovadores ao setor jurídico. Ainda não há confirmação se a OAB-SP vai recorrer ou tentar novas medidas para obter a suspensão total dos serviços da Enter. O caso reforça o quanto a regulação de novas tecnologias, especialmente as relacionadas à inteligência artificial, ainda está em desenvolvimento e suscita debates importantes sobre limites e responsabilidades.

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O que sabemos?

  • A Justiça Federal de São Paulo rejeitou, nesta quarta-feira, o pedido da OAB-SP para suspender imediatamente os serviços da startup Enter.
  • A juíza Raquel Fernandez Perrini afirmou que restrições só podem ser analisadas após produção de provas, a ser feita com contraditório.
  • A Enter é avaliada em US$ 1,2 bilhão, fundada em 2023, e oferece soluções de IA para o setor jurídico, usadas por departamentos de grandes empresas.
  • A Justiça determinou que a empresa preserve contratos e registros de uso de sua plataforma desde janeiro de 2024, além de fornecer dados sobre remuneração e critérios de sucesso, sem obrigatoriedade de entrega nesta fase.
  • A disputa envolve a supervisão de atividades tecnológicas que exercem funções tradicionais da advocacia, ainda sem decisão final sobre a ilegalidade ou ilegalidade da startup.

Fontes

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