Irmãos desenvolvem inteligência artificial para melhorar a segurança em hospitais brasileiros
Inovação busca reduzir erros em prescrições médicas através de tecnologia criada por brasileiros
Uma dupla de irmãos gaúchos criou uma IA que analisa prescrições médicas para evitar erros no uso de medicamentos, beneficiando pacientes e aumentando a eficiência nos hospitais.
Dois irmãos de Porto Alegre, provenientes de uma formação sólida em áreas relacionadas à saúde e tecnologia, estão na mira de uma inovação que promete transformar a rotina hospitalar. Henrique Dias dos Santos, 43 anos, engenheiro de ciência da computação, e sua irmã, Ana Helena Ulbrich, 45 anos, farmacêutica, criaram uma inteligência artificial chamada NoHarm — sigla em inglês para "sem dano" — com o objetivo de reduzir os erros de medicação e eventos adversos em hospitais brasileiros.
Segundo fontes, a ideia surgiu em um momento crucial: uma conversa de família, em 2017, na qual Ana Helena explicou sua rotina exaustiva de trabalho na linha de frente de hospitais e como a falta de tempo para avaliar cuidadosamente as prescrições vinha causando preocupações. Ela relatou que, na sua atuação como farmacêutica, muitas vezes não tinha condições de verificar se as doses estavam corretas, se havia interações medicamentosas perigosas ou alergias não identificadas, o que resultava até mesmo em mortes diárias devido a eventos adversos, segundo dados da Organização Nacional de Acreditação (ONA) com base na Anvisa.
A partir desse relato, Henrique decidiu mudar seu foco de doutorado para criar uma solução prática que pudesse ajudar profissionais da saúde. Assim nasceu o projeto que evoluiu para a implementação da IA, que analisa prontuários e prescrições científicas, oferecendo alertas automáticos e suporte à decisão clínica. Ainda de acordo com a mesma fonte, a plataforma foi testada inicialmente na Santa Casa de Porto Alegre em 2020, período em que Ana Helena enfrentava a pandemia de Covid-19 e tinha dois filhos pequenos. Naquela época, o sistema ajudava a validar prescrições em um contexto de alta demanda, priorizando unidades de terapia intensiva, onde apenas 1% das prescrições eram aprovadas. Em 2026, esse índice atingiu 100%, com a plataforma detectando erros como doses excessivas ou incorretas, além de alertar sobre interações medicamentosas potencialmente graves.
Segundo relato de uma diretora técnica do hospital, a tecnologia consegue identificar detalhes importantes, como a via de administração do remédio, além de evitar prescrições desnecessárias e gerar economia. Em um ano de operação, mais de 11 mil pacientes se beneficiaram do sistema, que, entre outras vantagens, protege os pacientes e reduz custos hospitalares. Ainda não há confirmação oficial se há outras instituições trabalhando com projetos semelhantes, e a reportagem aguarda pronunciamentos adicionais sobre possíveis ampliações ou parcerias futuras.
O que sabemos?
- Irmãos criaram IA chamada NoHarm para prevenir erros de medicação.
- Projeto surgiu a partir de uma conversa familiar em 2017.
- Sistema foi implementado na Santa Casa de Porto Alegre em 2020.
- Em um ano, beneficiou mais de 11 mil pacientes.
- A plataforma detecta doses incorretas, interações e alergias, melhorando a segurança hospitalar.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





