Tecnologia

A história do orelhão: Como uma invenção de 1971 virou símbolo de um passado distante

Em apuração ?

Com o avanço dos smartphones, o telefone de rua virou relíquia para as novas gerações

Imagem de um orelhão azul antigo em uma rua urbana
Imagem: CNN Brasil

O orelhão, um ícone do design industrial criado em 1971, está desaparecendo das cidades brasileiras. Entenda sua origem, funcionamento e o que levou ao seu declínio.

Quem nasceu na Era Digital provavelmente nunca viu um orelhão de perto, muito menos sabe como ele funcionava. Segundo fontes da própria história da telefonia urbana, o protetor conhecido popularmente como orelhão foi desenvolvido em 1971 pela Companhia Telefônica Brasileira (CTB), com o objetivo de oferecer telefonia pública mais acessível e com melhor isolamento acústico em meio ao caos das cidades. A invenção, batizada tecnicamente como Chu II, foi uma resposta ao problema de chamadas públicas com ruídos excessivos e falta de privacidade, comuns nas ruas movimentadas das grandes capitais brasileiras.

O projeto foi liderado pela arquiteta e designer sino-brasileira Chu Ming Silveira, que se inspirou na geometria do ovo para criar uma estrutura de fibra de vidro resistente, leve e capaz de refletir ondas sonoras. Assim, ao falar dentro do formato oval, o usuário tinha sua voz canalizada de forma eficiente, ao mesmo tempo em que as ondas do tráfego eram bloqueadas, garantindo maior privacidade e conforto durante as chamadas. A inovação foi tão bem-sucedida que, a partir de janeiro de 1972, os primeiros orelhões foram instalados em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, com versões em várias cores e tamanhos.

Originalmente, esses telefones públicos operavam com fichas metálicas vendidas em bancas e farmácias, até que, em 1992, essa modalidade deu lugar aos cartões telefônicos magnéticos, que facilitavam o uso e aumentaram a segurança. Com a privatização da Telebrás em 1998 e a aquisição da Telesp pela espanhola Telefônica, os aparelhos passaram a ser pintados de verde limão, marcando uma nova fase. O sucesso do design fez com que o formato do orelhão fosse exportado para diversos países da América Latina, consolidando-se como um símbolo da modernidade brasileira daquele período.

No entanto, toda essa história de inovação e conquista social começou a mudar com o avanço das redes móveis. Hoje, quem nasceu na geração Alfa — aqueles que vieram ao mundo a partir de 2010 — mal consegue compreender a função de um telefone de rua, que hoje parece uma relíquia de outro século. Conceitos como comprar fichas de papel, inserir nas ranhuras do aparelho e memorizar números de memória parecem ficção científica para eles, que vivem conectados a smartphones e redes sem fio. Segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e documentos da Fundação Telefônica, os aparelhos remanescentes ainda cumprem um papel de acessibilidade social em regiões rurais e áreas de baixa cobertura de sinal, mas sua presença nas cidades virou algo raro e até mesmo nostálgico. A tendência é que, a partir de janeiro, alguns desses equipamentos possam ser retirados de circulação definitivamente, marcando o fim de uma era que, por mais que pareça distante, foi fundamental para democratizar a comunicação de massa no Brasil.

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O que sabemos?

  • O orelhão foi desenvolvido em 1971 pela CTB e inaugurado em 1972.
  • Criado pela arquiteta Chu Ming Silveira, com um design inspirado na geometria do ovo.
  • Operava inicialmente com fichas metálicas; em 1992, foram substituídas por cartões magnéticos.
  • Após a privatização da Telebrás em 1998, os aparelhos passaram a ser verdes e tiveram seu uso reduzido.
  • Hoje, poucos permanecem em uso, principalmente em áreas rurais, enquanto a maioria está sendo retirada.

Fontes

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