Cubos de urânio encontrados em gaveta contribuem para entender limitações do projeto nuclear alemão na Segunda Guerra
Análise revela por que o reator de Hitler não teria funcionado, segundo estudo com materiais recuperados
Pesquisas recentes com cubos de urânio recuperados do programa nuclear nazista indicam que a Alemanha não teria conseguido criar reatores nucleares funcionais na Segunda Guerra. Isso reforça a hipótese de que o projeto de armas atômicas do Reich foi mais difícil do que se imagina.
Em uma descoberta recente que lança luz sobre os avanços e limitações do projeto nuclear nazista durante a Segunda Guerra Mundial, cubos de urânio recuperados do programa alemão foram analisados por estudiosos e revelaram detalhes importantes. Segundo informações divulgadas por uma análise publicada no periódico PNAS Nexus, esses cubos ajudam a entender por que a Alemanha não conseguiu desenvolver um reator nuclear funcional, uma etapa fundamental para criar uma bomba atômica.
A pesquisa destacou que, enquanto o Urânio, elemento químico essencial na produção de energia nuclear, existe na natureza principalmente nos isótopos urânio-238 (99,3%) e urânio-235 (0,7%), apenas este último é capaz de sofrer a fissão nuclear. Esse processo, ao absorver um nêutron, faz com que o núcleo se quebre, liberando uma grande quantidade de energia. Para que a fissão gere uma reação sustentada, ela precisa atingir a chamada criticalidade, ou seja, cada evento de fissura deve provocar, em média, uma nova fissura.
De acordo com o estudo, criado para produzir plutônio ou enriquecer urânio, o projeto do Uranprojekt — nome do programa nuclear nazi — esbarrava na dificuldade de alcançar a criticalidade com os recursos disponíveis na época. Ainda não há confirmação oficial de que o urânio usado pelo regime nazista fosse suficiente para sustentar uma reação em cadeia, mas a análise dos cubos recuperados demonstra que o uso de urânio e água pesada, como planejado pelos alemães, talvez não fosse viável para atingir esse objetivo, ao menos na rota do reator. A dificuldade estaria na composição e na qualidade desses materiais, o que dificultaria obras de reatores que, por sua vez, seriam essenciais para a produção de plutônio.
Segundo fontes ligadas à análise, o avanço dos estudos sugere que, apesar dos esforços, os nazistas talvez nunca tenham conseguido montar o reator funcional capaz de sustentar uma reação de fissão contínua. Como esses cubos sobreviveram ao tempo e foram encontrados nos Estados Unidos, a descoberta reforça a hipótese de que o programa nuclear alemão não foi capaz de avançar além de etapas iniciais. Ainda assim, o próprio estudo ressalva que detalhes mais precisos só serão confirmados após novas análises e investigações.
De qualquer forma, a questão levanta um ponto importante sobre as ambições atômicas do Reich. A história mostra que, embora os nazistas tenham experimentado com fissão nuclear e feitos alguns progressos, a sua rota baseada em reatores provavelmente não teria sido suficiente para uma bomba atômica viável, ao menos com a tecnologia disponível na época. As descobertas também alimentam debates sobre o atraso do programa nuclear alemão em relação ao esforço dos Estados Unidos, responsável pelo Projeto Manhattan, que culminou na bomba de Hiroshima e Nagasaki.
Assim, a análise com os cubos de urânio encontrados reforça a ideia de que o trabalho dos nazistas permaneceu parcialmente estagnado, e que outras rotas, como o enriquecimento de urânio, tiveram que ser exploradas pelos americanos para alcançar o avanço nuclear. Esses detalhes contribuem para compreender um capítulo complexo da história da tecnologia nuclear, a qual mudou o mundo de forma radical na metade do século XX.
O que sabemos?
- Cubos de urânio recuperados do programa nuclear nazista foram analisados.
- Estudo indica que os nazistas não teriam conseguido criar reatores nucleares funcionais com os materiais disponíveis.
- A dificuldade estava na composição do urânio e na produção de uma reação em cadeia sustentada.
- A análise reforça que a rota do reator não teria sido suficiente para uma bomba atômica na época.
- A pesquisa foi publicada no periódico PNAS Nexus, ainda sem confirmação oficial total.
Fontes
- Superinteressante fonte especializada





