Tecnologia

Tendência de fotos retrô dos anos 80 levantam questões sobre privacidade na era da inteligência artificial

Em apuração ?

Usuários compartilham selfies inspiradas no passado, mas especialistas alertam sobre riscos de dados pessoais

Selfie estilizada dos anos 80 gerada por IA, com cores neon e efeito granuloso
Imagem: BBC News Brasil

A moda de transformar selfies em imagens dos anos 80 usando IA cresce nas redes sociais, enquanto especialistas destacam preocupações com privacidade e uso de dados.

Uma recente tendência nas redes sociais tem chamado atenção: muitas pessoas estão utilizando ferramentas de inteligência artificial para transformar suas selfies em retratos inspirados na estética dos anos 80, com cabelos volumosos, cores neon e fotos granuladas. Segundo fontes da BBC News Brasil, essa moda se espalhou rapidamente pelo Instagram, TikTok e X, impulsionada por geradores de imagens de IA baseados em prompts enviados pelos próprios usuários. No entanto, enquanto a nostalgia faz sucesso, especialistas alertam que essa prática pode estar escondendo riscos sérios relacionados à privacidade e ao uso de informações pessoais.

De acordo com Catarina Doria, uma conhecida especialista em ética da IA, essas tendências virais estimulam o envio de múltiplas fotos pessoais ao sistema, muitas vezes de alta qualidade. Ela explica que “essas tendências acontecem porque são benéficas para as empresas de IA generativa”, que incentivam o compartilhamento de imagens para aprimorar seus bancos de dados. A especialista ressalta que esse fenômeno, que ela chama de “fun for data” (ou “diversão por dados”), representa uma troca de informações pessoais por entretenimento, muitas vezes sem que o usuário esteja plenamente consciente das implicações.

Outro ponto de preocupação destacou pela especialista é a presença de metadados nas imagens, como localização, além de informações biométricas relacionadas às características faciais. Segundo Carissa Véliz, professora de ética da IA na Universidade de Oxford, “ao enviar fotos para uma IA, você está compartilhando alguns dos dados mais sensíveis que possui.” Ela explica que, enquanto uma senha pode ser trocada, características faciais e outros traços biométricos não podem ser alterados facilmente, tornando esses dados particularmente vulneráveis caso virem alvo de uso indevido.

Ela também comparou o risco de vazamento de dados biométricos ao de plataformas tradicionais, como redes sociais ou aplicativos de namoro, mas destaca que o envio de várias imagens de alta qualidade aumenta ainda mais a exposição. Além disso, especialistas alertam que as conversas em chatbots de IA, sobre trabalho ou relacionamentos, podem junto com as fotos gerar perfis extremamente detalhados, com potencial para uso futuro além do que se imagina atualmente. Ainda não há confirmação oficial de eventuais usos maliciosos dessa coleta de dados, e o próprio mercado da tecnologia ainda escuta as preocupações de sua base de usuários.

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O que sabemos?

  • Usuários transformam selfies em estilo anos 80 usando IA, espalhando a moda nas redes sociais.
  • Especialistas alertam que o compartilhamento de imagens expõe dados biométricos sensíveis.
  • Dados de localização e informações pessoais podem ser incluídos nas fotos enviadas.
  • Riscos de uso futuro desses dados ainda não estão concretamente confirmados.
  • Essa tendência é um exemplo do aumento do uso da IA generativa no cotidiano.

Fontes

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