Corrida de armas hipersônicas na Península Coreana ganha atenção internacional
Coreia do Norte realiza testes de mísseis de cruzeiro de submarinos enquanto Coreia do Sul avança em tecnologia hipersônica
Na atual escalada militar na península, a Coreia do Norte testou dois mísseis de cruzeiro lançados de submarinos nesta semana, poucos dias após o teste sul-coreano de míssil hipersônico. Especialistas avaliam que as ações aumentam riscos e podem levar a uma maior ampliação das defesas na região.
Nos últimos dias, o clima de tensão na península coreana aumentou com novos testes de armas avançadas por parte de ambos os países rivais. Segundo informações divulgadas ainda não confirmadas oficialmente, a Coreia do Norte anunciou que testou duas categorias de mísseis de cruzeiro lançados de submarinos, na costa leste do país, nesta semana. O anúncio foi feito pela agência de notícias estatal KCNA, que também relatou que o líder Kim Jong Un visitou um museu militar onde exibiam um míssil balístico intercontinental, supostamente capaz de atingir alvos nos Estados Unidos. A visita ocorreu cinco dias após o presidente sul-coreano acompanhar o lançamento de um míssil hipersônico, desenvolvido integralmente pelo país, sinalizando uma corrida tecnológica crescente na região. Ainda segundo fontes ligadas ao setor de defesa, mísseis hipersônicos têm velocidade superior a Mach 5, ou seja, mais de 6.100 km/h, além de serem altamente difíceis de interceptar devido à capacidade de alterar sua trajetória durante o voo. Para analistas, esse avanço representa uma significativa evolução na capacidade de combate, e sua prioridade para o Sul se explica pelo fortalecimento militar do Norte e por sua aproximação com a Rússia, país que também possui interesse na tecnologia.
O especialista Chris Green, assessor sênior do International Crisis Group, afirmou que o desenvolvimento de armas hipersônicas na península é uma manifestação moderna de uma longa corrida armamentista que ambos os lados vêm travando há anos. Segundo ele, “há muitos anos existe uma corrida armamentista na península coreana, e as armas hipersônicas são apenas a manifestação mais recente disso”. Green também destacou que, apesar do Norte possuir armas nucleares, o uso delas seria inviável devido às ameaças dos Estados Unidos de resposta severa, o que explica sua busca por avanços em tecnologia convencional. Já o general aposentado Chun In-bum, pesquisador do National Institute for Deterrence Studies, acrescenta que o avanço norte-coreano intensifica os riscos na região. Green ainda avalia que a situação pode exigir uma ampliação das defesas na Coreia do Sul e também no Japão, que se tornam alvos potenciais diante dessa corrida tecnológica.
Embora as informações sobre as capacidades exatas dos mísseis nord-coreanos ainda não tenham sido totalmente confirmadas, analistas alertam que não se deve subestimar o que Pyongyang afirma. Green alerta para o risco de que essas armas possam de fato alcançar seus objetivos, mesmo que muitas das reivindicações do governo norte-coreano ainda estejam sob avaliação. Chun reforça esse ponto, esclarecendo que há uma história de subestimação das capacidades do país, muitas vezes levando a surpresas na comprovação de testes bem-sucedidos. Assim, a escalada militar na região sinaliza um momento de atenção redobrada, com o aumento da complexidade nas relações entre os países, alimentada pelo avanço na tecnologia de armas hipersônicas.
Por enquanto, as potências envolvidas continuam a desenvolver suas estratégias diante do cenário tenso, enquanto o mundo observa a evolução dessa corrida armamentista na Península Coreana. As ações recentes reforçam o quão complexa e perigosa a situação permanece, com a atenção voltada para possíveis respostas e o impacto que essa disputa tecnológica possa gerar nos próximos meses.
O que sabemos?
- Coreia do Norte testou dois mísseis de cruzeiro lançados de submarinos nesta semana.
- O líder norte-coreano Kim Jong Un visitou um museu militar com um míssil intercontinental.
- Coreia do Sul realizou seu primeiro teste de míssil hipersônico desenvolvido integralmente pelo país, cinco dias antes.
- Mísseis hipersônicos viajam a pelo menos cinco vezes a velocidade do som, dificultando sua interceptação.
- Especialistas alertam que a corrida armamentista na península pode se intensificar com essas novas capacidades.
Fontes
- G1 imprensa





