Tecnologia

Nova inteligência artificial promete melhorar previsões do tempo em até seis semanas

Em apuração ?

Tecnologia de correção inteligente pode aumentar a precisão de previsões de eventos extremos, incluindo enchentes e tempestades

Imagem: G1

Estudo recente apresenta uma técnica de inteligência artificial, chamada PBC, que melhora a acurácia de previsões meteorológicas feitas com duas a seis semanas de antecedência. Testes mostram avanços especialmente em modelos do ECMWF e em previsões de eventos extremos.

Uma nova técnica de inteligência artificial, que atua como uma camada de correção sobre os modelos meteorológicos existentes, promete ampliar significativamente a precisão das previsões do tempo feitas com semanas de antecedência. Segundo um estudo publicado nesta quarta-feira (14) na revista Nature, o método, denominado de correção probabilística de vieses (PBC), não substitui os principais modelos utilizados na previsão metrológica, mas ajusta suas saídas com base em erros anteriores, aprendendo com as previsões feitas e os resultados observados.

O destaque do estudo é que, ao aplicar o PBC em testes com o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), a técnica dobrou a capacidade preditiva dessas projeções em horizontes de duas a seis semanas, período em que as previsões tradicionais costumam apresentar maior margem de erro. De acordo com os autores, a melhoria atingiu taxas de acerto de até 92% na previsão de enchentes ocorridas entre 2016 e 2026, além de aumentar a precisão na previsão de temperaturas e pressões atmosféricas.

Explicando como funciona, um dos autores do estudo, que atua na Microsoft Research, afirmou que o sistema analisa previsões antigas, identifica padrões de erro e ajusta as projeções futuras considerando dados recentes. “Nosso novo sistema pega o modelo escolhido, aprende de que forma ele costuma errar e corrige esses erros”, detalhou Lester Mackey. Assim, o PBC atua como uma camada de ajuste que aumenta a confiabilidade das previsões, especialmente para eventos meteorológicos mais extremos, como tempestades, chuvas intensas e períodos de frio intenso.

A técnica já mostrou resultados promissores em diversas aplicações, incluindo testes no clima dos Estados Unidos, onde conseguiu indicar tempestades com 26 dias de antecedência, e no Quênia, onde está em fase de testes para uso na agricultura. Além disso, em uma competição internacional organizada também pelo ECMWF em 2025, uma solução que utilizou o PBC conquistou o primeiro lugar em todas as variáveis avaliada, superando diferentes modelos de previsão de seis centros meteorológicos e de outras 34 equipes. Segundo os pesquisadores, esses avanços ainda são mais evidentes na região dos trópicos e apresentam limitações na Europa, devido às diferentes condições atmosféricas.

Apesar do otimismo, os especialistas reforçam que o PBC não substitui os modelos tradicionais, mas complementa seu funcionamento, ajudando a reduzir erros que, atualmente, ainda dificultam previsões com quase um mês de antecedência. A expectativa é que, com melhorias contínuas, essa tecnologia possa fortalecer a resiliência de cidades e agricultores perante eventos climáticos extremos, atualmente cada vez mais frequentes diante das mudanças climáticas globais.

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O que sabemos?

  • Nova técnica de IA (PBC) melhora previsões do tempo com 2 a 6 semanas de antecedência.
  • Aplicada ao ECMWF, a técnica dobrou a previsão de eventos sub-sazonais.
  • Aumentou em até 92% a precisão para prever enchentes entre 2016 e 2026.
  • Venceu uma competição internacional em 2025, superando outros modelos.
  • Testada nos EUA para tempestades com 26 dias de antecedência e em testes no Quênia para agricultura.

Fontes

  • G1 imprensa
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