Saúde

Estudo sugere que vacina contra herpes-zóster pode reduzir risco de demência em idosos

Em apuração ?

Pesquisa aponta benefício potencial da imunização na proteção cerebral de pessoas acima de 66 anos

Imagem ilustrativa de uma ampola de vacina e um cérebro humano estilizado
Imagem: Folha de S.Paulo

Um estudo publicado na revista 'Annals of Internal Medicine' indica que idosos vacinados contra herpes-zóster podem ter menor risco de desenvolver demência. A pesquisa, conduzida por especialistas da Universidade Brown, nos Estados Unidos, avalia a relação entre a vacinação e a proteção cerebral.

Um estudo intitulado publicado na revista científica 'Annals of Internal Medicine' sugere que a vacinação contra o herpes-zóster, vírus causador da catapora, pode oferecer uma vantagem adicional: a redução do risco de demência entre idosos. Segundo a pesquisa, conduzida por uma equipe da Escola de Saúde Pública da Universidade Brown, nos Estados Unidos, pessoas com mais de 66 anos que receberam pelo menos uma dose da vacina apresentaram uma menor probabilidade de desenvolver essa síndrome que compromete a memória e outras funções cognitivas.

O herpes-zóster é causado pelo mesmo vírus da varicela, que permanece latente nos gânglios do sistema nervoso após a infecção inicial na infância. Em indivíduos com imunidade debilitada, como acontece frequentemente na terceira idade, o vírus pode 'despertar', causando o chamado 'cobreiro', uma doença marcada por lesões na pele e dores intensas. Mas o risco vai além da dermatologia: há indicações de que o vírus também possa atingir o sistema nervoso central, levando a um processo inflamatório crônico que danifica o cérebro ao longo do tempo, dificultando a reparação de danos e potencialmente contribuindo para o desenvolvimento de demência.

De acordo com o neurologista Augusto Penalva de Oliveira, do Einstein Hospital Israelita, 'o processo inflamatório crônico somado ao envelhecimento compromete o mecanismo de reparação após uma agressão'. Ainda segundo ele, estudos recentes associam o vírus a não só à demência, mas também a quadros vasculares, como acidentes vasculares cerebrais (AVCs). A pesquisa, que utilizou dados de mais de 500 mil idosos que passaram por clínicas ou internações entre 2017 e 2022, verificou registros de quem recebeu a vacina contra herpes-zóster em comparação com aqueles não imunizados. Os resultados indicam que os vacinados tiveram uma queda no risco de desenvolver demência, embora os autores alertem que o estudo possui limitações, como o uso de registros que podem conter diagnósticos imprecisos e a impossibilidade de avaliar toda a amostra.

O estudo ainda não confirmou oficialmente que a vacina possa prevenir a demência, mas aponta para um potencial benefício da imunização na saúde cerebral. A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda a vacinação contra o herpes-zóster de rotina a partir dos 50 anos, ainda que a vacina seja atualmente disponível apenas na rede privada no Brasil. A entidade reforça que a imunização é importante mesmo para quem já teve a doença anteriormente, devido ao risco de novas infecções. O avanço em estudos assim reforça a importância de manter a imunização em dia, especialmente na terceira idade, diante de possibilidades de proteção adicional contra doenças neurológicas.

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O que sabemos?

  • Estudo sugere que vacina contra herpes-zóster pode reduzir risco de demência em idosos.
  • Pesquisa avaliou registros de mais de 500 mil pessoas com mais de 66 anos, entre 2017 e 2022.
  • Vacinação anterior está associada a menor incidência de demência, mas o estudo não confirmou causa direta.
  • A vacina contra herpes-zóster é recomendada pelo menos a partir dos 50 anos, na rede privada.
  • O vírus pode causar o 'cobreiro' e também atingir o sistema nervoso central, potencialmente levando a problemas cognitivos.

Fontes

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