Entenda por que emagrecer nem sempre reduz medidas nos membros com lipedema
Doença crônica afeta principalmente as pernas e braços, dificultando a perda de volume mesmo após emagrecimento
Pacientes com lipedema podem perder peso, mas ainda assim manter medidas elevadas nas pernas e braços, devido às características específicas da doença. Especialistas explicam o que causa essa resistência ao emagrecimento e por que ela não deve ser confundida com obesidade comum.
Recentemente, uma mulher celebrou pela primeira vez sair de short após passar por uma cirurgia para tratar lipedema, uma condição que afeta o tecido adiposo nas regiões inferiores do corpo. Esse caso trouxe à tona uma dúvida comum entre pacientes: por que, mesmo emagrecendo, muitas pessoas com lipedema continuam com as pernas e braços proporcionalmente maiores?
Segundo a médica Heloise Manfrim, cirurgiã plástica e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plastica (SBCP) e da Associação Brasileira de Lipedema (ABL), o lipedema é uma doença crônica que altera a estrutura do tecido adiposo, tendo uma distribuição característica principalmente nos membros inferiores e, em algumas mulheres, nos braços. Ela explica que a gordura relacionada ao lipedema não se comporta como a gordura comum, apresentando mudanças estruturais no tecido, como alterações nas células de gordura, na microcirculação e aumento de fibrose, o que dificulta a redução nas medidas dessas regiões mesmo após emagrecimento.
Segundo ela, alterações na microcirculação e na composição do tecido adiposo fazem com que a gordura do lipedema seja resistente a processos tradicionais de emagrecimento, como dieta e exercícios. "A gordura do lipedema não desaparece com facilidade, e pode até, na tentativa de perda de peso, fazer com que a desproporção do corpo se torne mais evidente. È comum que o tronco, a cintura e o rosto fiquem mais finos, enquanto as pernas e braços permanecem desproporcionais," afirma a especialista.
Ela destaca ainda que o lipedema geralmente poupa mãos e pés, formando o padrão característico de distribuição da doença, e que essas diferenças podem se intensificar à medida que a pessoa emagrece. Segundo a médica, esse fenômeno não deve ser confundido com obesidade, pois as duas condições são distintas. Mesmo pacientes magros podem apresentar lipedema de forma evidente, e a resposta do tecido afetado ao emagrecimento é específica, nem sempre proporcional às outras regiões do corpo.
A importância de compreender essa condição é reforçada por especialistas, que alertam para a necessidade de tratamentos específicos e de evitar a confusão entre lipedema e obesidade, uma vez que as abordagens podem ser diferentes. Ainda aguarda confirmação oficial, mas esse esclarecimento ajuda a explicar por que muitas pacientes podem se sentir frustradas ao emagrecerem, mas continuarem com as medidas aparentemente inalteradas nos membros inferiores.
O que sabemos?
- Lipedema afeta principalmente pernas e braços, dificultando a redução de medidas nessas áreas mesmo após emagrecimento.
- A doença envolve alterações estruturais no tecido adiposo, como fibrose e mudanças na microcirculação.
- Paciente pode emagrecer de forma visível em outras regiões, mas os membros continuam desproporcionais.
- Lipedema não deve ser confundido com obesidade; trata-se de condição distinta.
- A resposta do tecido ao emagrecimento é diferente e pode tornar a desproporção mais evidente.
Fontes
- gshow fonte especializada





