Estudo de 20 anos revela o alto custo emocional dos cuidadores de pessoas com Alzheimer
Pesquisa aponta que muitos cuidadores se sacrificam sem buscar apoio psicológico, impactando sua saúde mental e equilíbrio financeiro.
Uma revisão de duas décadas envolvendo mais de 80 mil pessoas destaca os desafios enfrentados por cuidadores ao redor do mundo, especialmente pela dedicação intensa e a dificuldade de acesso a apoio psicológico. Ainda não há confirmação oficial sobre consequências específicas ou políticas públicas recentes.
Uma extensa pesquisa publicada na revista científica Psychology & Health trouxe à tona, pela primeira vez de forma consolidada, o panorama global dos cuidadores de pessoas com Alzheimer e outras condições crônicas. Segundo os autores do estudo, realizado por pesquisadores das universidades de Sydney e Queensland, na Austrália, ao longo de 20 anos e envolvendo cerca de 81.167 cuidadores de diversas nacionalidades, principalmente no Reino Unido, Europa, Estados Unidos, Canadá e Austrália, o sacrifico desses indivíduos é maior do que se imagina.
Hannah Isaac, uma das autoras principais do levantamento, explicou que “os cuidadores tendem a colocar as necessidades do seu ente querido acima das próprias”, além de não se identificarem com o rótulo de cuidador, por associarem esse papel a uma assistência 24 horas. Na prática, eles realizam tarefas do cotidiano, como comparecer às consultas médicas, ajudar em tratamentos, cuidar de tarefas domésticas ou oferecer suporte emocional, muitas vezes sem reconhecimento ou suporte adequado. O estudo revela que a maioria desses responsáveis relata que gostaria de receber ajuda para lidar com sentimentos de luto, incerteza e culpa, porém poucos utilizam os recursos disponíveis, como grupos de apoio ou aconselhamento psicológico.
De acordo com a pesquisa, há evidências de que quem cuida de pacientes mais graves é ainda menos propenso a buscar ajuda. Segundo Rebekah Laidsaar-Powell, coautora do estudo, o sistema de saúde muitas vezes deixa de oferecer suporte a esses cuidadores, uma vez que sua atenção está focada no paciente. Entre os obstáculos mencionados estão dificuldades financeiras, práticas e de tempo, além do hábito de priorizar as necessidades do assistido em detrimento das próprias carências emocionais.
Os autores ressaltam a importância de políticas públicas que facilitem o acesso à assistência psicológica. Para ilustrar o impacto social e econômico dessa realidade, uma reportagem do jornal The Guardian, também citada na pesquisa, indica que aproximadamente 1.500 britânicos deixam seus empregos todos os dias para cuidar de familiares sem remuneração. Nos últimos dois anos, cerca de um milhão de pessoas tomaram essa decisão, representando um enorme sacrifício financeiro e de carreira, e, em média, uma em cada cinco pessoas empregadas no Reino Unido, ou seja, aproximadamente 6,7 milhões de trabalhadores, têm enfrentado dificuldades por esse motivo, com muitos reduzindo suas jornadas ou trabalhando menos de oito horas semanais.
Embora ainda não confirmado oficialmente por fontes brasileiras, os dados indicam uma questão social de grande magnitude, que merece atenção por parte de governos e organizações de saúde. Este cenário reforça a necessidade de maior suporte institucional e de conscientização sobre a importância do cuidado com quem cuida, não apenas do paciente. Os cuidadores representam uma parte essencial do sistema de saúde informal, frequentemente sobrecarregados e sem respaldo suficiente na manutenção de seu bem-estar mental e financeiro.
O que sabemos?
- Uma revisão de 20 anos mostra o impacto do cuidado de pessoas com Alzheimer em familiares.
- A maioria dos cuidadores não busca apoio psicológico, apesar de reconhecerem a necessidade.
- Eles colocam as necessidades do ente querido acima das próprias.
- Dificuldades financeiras, práticas e o hábito de priorizar o paciente impedem que procurem ajuda.
- No Reino Unido, cerca de 1.500 pessoas deixam seus empregos diariamente para cuidar de familiares.
- Cerca de um milhão de britânicos se afastaram do trabalho nos últimos dois anos para cuidar de entes queridos.
Fontes
- G1 imprensa





