Desconfiômetro: por que a vacinação de gestantes contra a Covid-19 ainda é um desafio no Brasil?
Coberturas vacinais entre gestantes divulgadas revelam diferenças significativas que preocupam especialistas
Dados recentes apontam que apenas pouco mais da metade das gestantes brasileiras tomaram a vacina contra a Covid-19, enquanto imunizações contra doenças como difteria, tétano, coqueluche e vírus sincicial respiratório apresentam índices bem maiores. Especialistas atribuem essa resistência a fatores como desinformação e desconfiança contínua.
Apesar de o Brasil ter avançado na vacinação de gestantes contra a Covid-19, ainda há uma discrepância preocupante no número de mulheres imunizadas e o que se recomenda como ideal. Segundo informações ainda não oficialmente confirmadas, dados de 2026 indicam que apenas 55,42% das gestantes receberam a vacina contra a Covid-19, enquanto a cobertura da imunização contra dTpa (difteria, tétano e coqueluche) chega a 82,72%, e a proteção contra o vírus sincicial respiratório (VSR), principal responsável por bronquiolite em bebês, alcança 85,14%. Essa diferença reforça a tese de que a desconfiança e o medo em relação à vacina contra a Covid-19 continuam sendo obstáculos para melhorar a cobertura vacinal neste grupo.
O avanço na vacinação contra a Covid-19 entre gestantes teve uma forte aceleração de 2024 para 2025, saindo de apenas 6,75% para aproximadamente 55%. Contudo, esse crescimento desacelerou em 2026, e o índice atual ainda está longe da meta considerada ideal, de 90%. Em contrapartida, as demais vacinas indicadas para gestantes apresentam percentuais bem mais altos. A dTpa, por exemplo, é recomendada a partir da 20ª semana de gestação e é responsável por proteger o bebê contra coqueluche, que pode ser fatal nos primeiros meses de vida, através dos anticorpos transferidos pela mãe. Já a vacina contra o VSR, dada a partir da 28ª semana, visa evitar formas graves da doença, que costuma causar bronquiolite, especialmente em bebês recém-nascidos.
Segundo a especialista em imunizações, a presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, a desconfiança ainda relacionada à vacina contra a Covid-19 se deve ao medo de eventos adversos, à menor percepção de risco da doença e à circulação de informações falsas. Ela explica que, diferentemente da dTpa e do vacinação contra o VSR, que são aplicadas em momentos específicos da gestação, a vacina contra a Covid pode ser aplicada em qualquer fase da gestação e protege tanto a mãe quanto o feto, com a transferência de anticorpos pela placenta, conferindo uma camada adicional de proteção contra a doença durante os primeiros meses de vida do bebê.
O cenário revela que a luta contra a desinformação precisa ser reforçada, especialmente para uma vacina cuja importância ainda não é totalmente compreendida por muitas gestantes. Todos os imunizantes indicados durante a gravidez têm o objetivo de proteger tanto a mãe quanto o bebê, uma estratégia fundamental para reduzir o risco de doenças graves na primeira fase da vida do recém-nascido. Ainda assim, a resistência à vacina contra a Covid-19 demonstra que o pano de fundo de desconfiança e medo ainda influencia a adesão às recomendações oficiais, trazendo à tona uma questão de saúde pública que necessita de atenção constante e ações educativas mais eficazes.
O que sabemos?
- A cobertura vacinal contra a Covid-19 entre gestantes chegou a 55,42% em 2026.
- A vacinação contra dTpa atinge 82,72%, e contra VSR chega a 85,14%.
- O avanço na imunização contra Covid-19 entre gestantes foi mais expressivo entre 2024 e 2025, mas desacelerou neste ano.
- Especialistas atribuem a resistência à vacina contra Covid à desinformação, medo de eventos adversos e menor percepção de risco.
- A vacina contra Covid-19 pode ser aplicada em qualquer momento da gestação, ao contrário de dTpa e VSR, que têm momentos específicos de aplicação.
Fontes
- CNN Brasil imprensa





