Técnica inovadora revela genoma completo do vírus da febre do Nilo Ocidental em mosquitos
Método que analisa água residual detecta circulação de vírus em ambientes naturais
Pesquisadores de Nova Jersey desenvolveram uma técnica que utiliza amostras de excrementos de mosquitos coletados em um 'banheiro de mosquitos' para identificar vírus como o da febre do Nilo Ocidental. A inovação permite o sequenciamento genético detalhado sem precisar capturar o vírus diretamente.
Em uma abordagem inédita, pesquisadores de Nova Jersey usam uma técnica baseada no monitoramento de dejetos de mosquitos para detectar a circulação de vírus perigosos na natureza. A metodologia, que foi apresentada em um estudo recente, envolve a coleta de amostras de excrementos de mosquitos Culex sp., coletados em um sistema simples que ganha o nome de 'banheiro de mosquitos'. Segundo informações da equipe, essa estratégia permite identificar com alta precisão o genoma de vírus, incluindo o do vírus do Nilo Ocidental, agente responsável pela febre do Nilo Ocidental, que pode causar quadros neurológicos graves em humanos. O método consiste na instalação de um funil produzido por impressão 3D, revestido com material super-hidrofóbico, ou seja, que repele água. Essa superfície faz com que as gotas de líquido formadas pelos resíduos de excrementos dos mosquitos escorram até um tubo de coleta, facilitando a captura de fragmentos genéticos.
De acordo com o entomologista Dana Price, uma das autoras do estudo, a técnica possibilita obter não apenas informações qualitativas – se há ou não vírus – mas dados genéticos completos. "O que descobrimos foi um genoma viral completo. Em vez de apenas positivo ou negativo, temos dados genéticos", afirmou ele. A equipe realizou experimentos com dois grupos de 50 mosquitos captures em dois anos diferentes, 2021 e 2022, na região de New Brunswick, em Nova Jersey. Ao analisar as amostras coletadas em 2022, os pesquisadores identificaram na sequência o genoma completo do vírus do Nilo Ocidental, relacionado à variante genética NY07, já conhecida na região há algum tempo. Essa informação pode ser fundamental para compreender a origem e a expansão de diferentes variantes do vírus ao longo do tempo, assim como estudar possíveis mutações futuras.
Além do vírus do Nilo Ocidental, a equipe encontrou vestígios genéticos de um outro microrganismo próximo a ele, conhecido como Hedwig, uma descoberta ainda não confirmada oficialmente. Segundo fontes ainda não verificadas, esse vírus foi descoberto na Europa em tecidos de uma coruja-das-neves, e recebeu o nome como referência à personagem Hedwig, da saga Harry Potter. Ainda é importante destacar que o estudo foi divulgado apenas por uma fonte, a revista Galileu, e aguarda confirmação de outras instituições científicas.
Essa inovação na vigilância epidemiológica é vista com otimismo por especialistas, pois oferece uma forma relativamente simples de monitorar vírus circulantes sem necessidade de capturar ou coletar sangue de animais ou seres humanos. A técnica de sequenciamento metagenômico shotgun, usada na análise das amostras, sequencia quase todo o material genético presente, permitindo identificar uma vasta gama de vírus em uma única coleta. Ainda não há confirmações de que essa abordagem seja amplamente aplicada no Brasil ou em outros países, mas ela representa um avanço promissor na detecção precoce de doenças infecciosas e na prevenção de possíveis surtos.
O que sabemos?
- Método coleta excrementos de mosquitos usando funil com superfície super-hidrofóbica.
- Sequenciamento genético completo do vírus do Nilo Ocidental foi identificado em amostra de 2022.
- A técnica permite identificar vírus presentes no ambiente sem necessidade de capturar vírus diretamente.
- Identificação do vírus do Nilo Ocidental relacionada à variante NY07, já conhecida na região.
- Foi encontrado material genético semelhante ao do vírus Hedwig, ainda não confirmado oficialmente.
Fontes
- Revista Galileu fonte especializada





