Estudo revela alto índice de esgotamento emocional entre médicos de UTIs no Brasil
Quase metade dos profissionais da linha de frente apresentam sinais de burnout, segundo pesquisa da AMIB
Um inquérito realizado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira aponta que 48,5% dos médicos que trabalham em Unidades de Terapia Intensiva apresentam níveis elevados de esgotamento mental e emocional, destacando a vulnerabilidade desses profissionais.
Um levantamento divulgado nesta terça-feira (15) pelo estudo “Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica nas UTIs Brasileiras”, realizado pela AMIB (Associação de Medicina Intensiva Brasileira), revelou que quase metade dos médicos que atuam nesses ambientes estão extremamente vulneráveis ao fenômeno conhecido como burnout. Segundo a pesquisa, 48,5% desses profissionais apresentam níveis elevados de esgotamento emocional, um dos principais componentes da condição. Além disso, outros 31,2% indicaram sentir um esgotamento moderado, enquanto somente 20,3% relataram baixos níveis de cansaço emocional.
O estudo destacou ainda que cerca de 46,4% dos médicos entrevistados demonstraram sinais de despersonalização, ou seja, um distanciamento emocional em relação ao trabalho. Já 15,5% relataram baixa realização pessoal, o que sugere uma falta de propósito na rotina profissional. Notavelmente, a pesquisa também apontou que médicos generalistas atuando em UTIs com não especialização formal em Medicina Intensiva apresentaram uma taxa de 52,3% de esgotamento emocional elevado, número superior ao de médicos registrados na especialidade, que foi de 44,5%. Ainda de acordo com a fonte, o levantamento ouviu 2.338 profissionais de 26 estados mais o Distrito Federal.
Segundo Cristiano Franke, presidente da AMIB, o esgotamento é impulsionado pelos episódios críticos enfrentados diariamente por esses profissionais: “Um sistema de saúde só é resiliente se cuida também de quem sustenta o cuidado. Os dados desse Inquérito mostram que a saúde mental dos médicos das UTIs não pode ser tratada como pauta secundária. Ela é questão prioritária para políticas públicas, que exige mobilização de gestores, instituições e autoridades de saúde.” Franke reforça ainda que a preocupação com o bem-estar emocional desses profissionais deve se transformar em ações concretas. Ele afirmou que a entidade pretende usar os resultados do estudo para pressionar por medidas que possam melhorar essa situação, pois “quem trabalha em uma UTI vê a vida de seus pacientes por um fio. Se o médico está esgotado, sua atuação pode ser menos eficiente do que o ideal, o que impacta diretamente na qualidade do atendimento”.
O que sabemos?
- Quase 50% dos médicos em UTIs apresentam níveis elevados de burnout.
- 22,3% dos profissionais de medicina intensiva atuantes em UTIs estão com esgotamento emocional moderado.
- O levantamento ouviu 2.338 profissionais de diferentes regiões do Brasil.
- O presidente da AMIB afirma que a saúde mental dos médicos deve ser prioridade nas políticas públicas.
Fontes
- CNN Brasil imprensa





