Saúde

Estudo brasileiro investiga uso de polipílula na prevenção de AVC e declínio cognitivo

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Pesquisa busca estratégia simplificada para reduzir fatores de risco cardiovascular e preservar a função cerebral

Imagem ilustrativa de uma cápsula de medicamento e pessoas praticando atividades físicas
Imagem: Jornal da USP

Um grande estudo brasileiro está avaliando se uma combinação de medicamentos e hábitos saudáveis, em forma de uma única pílula, pode ajudar a prevenir acidentes vasculares cerebrais e diminuir o risco de demência. A iniciativa acompanha mais de 8 mil participantes em diferentes estados.

Um estudo brasileiro em andamento está investigando se uma nova abordagem de prevenção pode contribuir para reduzir o risco de acidentes vasculares cerebrais (AVC), infartos e até mesmo o declínio cognitivo, como a perda de memória e a demência. Segundo informações da Fundação USP, o projeto, chamado Promote Expansion, tem como foco testar uma polipílula — uma única cápsula que reúne dois medicamentos para controlar a pressão arterial e uma estatina para reduzir o colesterol — acompanhada de estratégias de mudança de hábitos de vida.

De acordo com o professor Octávio Pontes, que faz parte da equipe responsável pelo estudo, a ideia é verificar se esse tratamento simplificado consegue melhorar o controle dos fatores de risco cardiovascular de forma mais eficaz. Ele explica que o risco de AVC e infarto não surge de forma repentina, mas aumenta gradualmente conforme fatores como pressão arterial elevada, colesterol alto, sedentarismo, excesso de peso e tabagismo se acumulam ao longo dos anos. Ainda segundo o pesquisador, 'esperar que a pessoa se torne hipertensa ou tenha uma crise cardiovascular pode fazer perder uma oportunidade importante de prevenção.'

A primeira fase do estudo já mostrou resultados promissores, incluindo a redução da pressão arterial sistólica — o valor da pressão arterial ao medir a força do sangue contra as paredes das artérias — além de mudanças positivas no estilo de vida dos participantes, como o aumento da atividade física. A partir dessas observações, os responsáveis pelo estudo decidiram expandir a pesquisa para outras regiões do país. Atualmente, o estudo está recrutando voluntários entre 50 e 75 anos, com pressão arterial sistólica entre 121 e 139 mmHg, sem diagnóstico de diabetes ou colesterol alto, mas que tenham ao menos um fator de risco modificável, como sobrepeso, sedentarismo ou tabagismo.

Por enquanto, não há confirmação oficial de que o uso da polipílula seja eficaz para todos esses aspectos, mas o objetivo é verificar se ela consegue melhorar o controle de fatores de risco ao mesmo tempo em que contribui para a prevenção de eventos mais graves. Além de focar na saúde cardiovascular, o estudo também avalia o impacto do tratamento na memória e na função cerebral, tentando entender se o controle precoce dos fatores de risco pode diminuir o risco de demência no futuro.

O professor Octávio Pontes também participa do programa de rádio "O minuto do Cérebro", que é veiculado quinzenalmente na Rádio USP, às terças-feiras às 8h30. A iniciativa visa divulgar os avanços e conceitos relacionados à saúde cerebral e prevenção de doenças relacionadas à memória, reforçando a importância de estratégias simples e acessíveis para melhorar a qualidade de vida.

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O que sabemos?

  • Estudo brasileiro testa uma polipílula envolvendo medicamentos para pressão arterial e colesterol.
  • Pesquisa acompanha mais de 8 mil participantes em diferentes estados.
  • Foco na prevenção de AVC, infarto e declínio cognitivo.
  • Primeiras fases mostram redução da pressão arterial e estímulos a hábitos mais saudáveis.

Fontes

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