Saúde

Primeiro caso de rim de porco manter paciente vivo até recepção de órgão humano

Em apuração ?

Experimentação aponta para possível uso temporário de rins de porco em transplantes

Imagem ilustrativa de procedimento de transplante de órgão
Imagem: Folha de S.Paulo

Um paciente nos Estados Unidos viveu por nove meses com um rim de porco geneticamente modificado antes de receber um órgão humano. O avanço abre caminho para novas estratégias no combate à escassez de órgãos.

Pela primeira vez, um paciente recebeu um rim de porco geneticamente modificado que conseguiu manter sua vida por quase um ano até a chegada de um órgão humano compatível. Segundo informações fornecidas pelo estudo publicado na revista The Lancet na última quinta-feira, o procedimento ocorreu em 25 de janeiro de 2025 e foi realizado no Mass General Brigham, nos Estados Unidos. A iniciativa acompanha uma linha de pesquisa que visa transformar os rins de porco em uma solução temporária — uma espécie de "ponte" — para pacientes que aguardam transplantes humanos e enfrentam longas filas, muitas vezes com risco de morte enquanto esperam por um órgão adequado.

O paciente, cujo nome não foi divulgado, tinha apenas 66 anos e sofria de diabetes e hipertensão que comprometeram seus rins. Segundo relatos do próprio, ele se encontrava tão debilitado que só desejava dormir, com pouco apetite e sem energia para atividades simples, além de já ter sofrido dois infartos. Como sua chance de receber um rim compatível era remota, principalmente por causa do tipo sanguíneo raro, ele decidiu participar deste experimento, motivado também pelo risco de morte iminente. Após a cirurgia, realizada por uma equipe especializada, ele viveu por nove meses com o rim de porco, período em que os médicos monitoraram sua resposta ao órgão de origem animal.

De acordo com o principal autor do estudo, Lion V. Riella, e outros especialistas envolvidos, a experiência inicial sugere que o uso de rins de porco geneticamente modificados — que foram ajustados para evitar rejeição e remover vírus presentes nos porcos — pode ser viável como uma solução temporária. “Até agora, não há evidências de que esse procedimento altere a forma como o corpo reage ao tecido humano, o que é uma boa notícia para futuras aplicações”, afirmou Riella. O procedimento foi possível graças a alterações genéticas específicas nos porcos, que incluem alterações que evitam uma reação imunológica adversa, além de inativar vírus que poderiam representar riscos à saúde do paciente.

O caso ainda não foi confirmado oficialmente como uma solução definitiva ou padrão na medicina, e há ressalvas: a utilização de rins de porco como uma ponte ainda é considerada experimental. Pesquisadores e empresas de biotecnologia, como a eGenesis, destacaram que, embora o uso de rins de porco não substitua completamente os órgãos humanos, essa estratégia pode aliviar o sofrimento de pacientes na espera por um transplante, além de reduzir a dependência da diálise, um procedimento que desgasta bastante o paciente. Mike Curtis, presidente e CEO da eGenesis, afirmou que até o momento, não há evidências de que receber um rim de porco comprometa futuramente a possibilidade de um transplante de rim humano, uma dúvida que inicialmente preocupava os especialistas.

Apesar do avanço, ainda não há uma confirmação oficial de que todos esses detalhes tenham sido amplamente validados ou se essa abordagem se tornará comum na prática clínica. O estudo representa um passo importante na pesquisa de órgãos de origem animal para transplantes, mas permanece como uma experiência pioneira, aguardando avaliações adicionais e aprovações regulatórias antes de sua possível aplicação em larga escala.

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O que sabemos?

  • Paciente de 66 anos viveu com rim de porco por nove meses
  • O procedimento ocorreu em 25 de janeiro de 2025 em Massachusetts
  • O rim de porco era geneticamente modificado para evitar rejeição
  • Estudo publicado na revista The Lancet na quinta-feira
  • Pesquisadores veem potencial como uma solução temporária para filas de doação

Fontes

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