Estudo revela contrastes na saúde de idosos nos EUA e possíveis implicações para o Brasil
Pesquisa do Centro de Longevidade da Universidade Stanford aponta polarização nos hábitos de saúde na terceira idade.
Um relatório recente sugere que, nos Estados Unidos, a saúde dos idosos apresenta uma divisão entre quem adota estilos de vida mais saudáveis e quem se envolve em práticas prejudiciais. As mudanças, embora nem sempre evidentes na média geral, revelam aumento tanto de saúde quanto de riscos entre essa faixa etária.
Segundo uma pesquisa do projeto Sightlines, do Centro de Longevidade da Universidade Stanford, os Estados Unidos vivem uma situação paradoxal em relação à saúde de seus idosos. Enquanto uma parte significativa da população acima de 65 anos adota hábitos mais benéficos, como alimentação equilibrada, prática regular de exercícios e noites de sono adequadas, outra parcela mantém ou até aumenta comportamentos de risco, incluindo sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool. O estudo, que começou em 2007, revela que, na média do país, pouco mudou ao longo do tempo. Contudo, uma análise mais detalhada mostra uma intensa polarização. Os idosos que praticam hábitos saudáveis cresceram de 29,7% para 36,6%, enquanto os que apresentam múltiplos comportamentos nocivos passaram de 15,9% para 24,8%. Essa disparidade evidencia uma tendência preocupante, especialmente entre os mais vulneráveis, onde há maior persistência e até agravamento de práticas prejudiciais à saúde. A pesquisa também destacou diferenças socioeconômicas: a redução do tabagismo é mais perceptível entre as pessoas de maior renda, ao passo que nas camadas mais vulneráveis esses índices permanecem estáveis ou aumentam. Além disso, os indicadores de sobrepeso e IMC seguem uma dinâmica similar, com desigualdades mais evidentes com o passar dos anos. Segundo os autores, essa desigualdade social tem papel fundamental na saúde dos idosos e reforça a necessidade de políticas públicas que promovam equidade, sobretudo no Brasil, onde esses fenômenos podem se refletir de modo semelhante. Para eles, é urgente criar ambientes que facilitem a prática de atividades físicas, garantir acesso a alimentos saudáveis e ampliar a cobertura vacinal, incluindo vacinas como a contra herpes zóster, especialmente em regiões com dificuldades de acesso. Ainda não há confirmação oficial de que as tendências observadas nos EUA se aplicarão ao Brasil, mas especialistas acreditam que políticas de inclusão social e saúde podem fazer a diferença na longevidade de todos.
O que sabemos?
- A pesquisa é do projeto Sightlines, do Centro de Longevidade da Universidade Stanford.
- Há uma polarização crescente nos hábitos de saúde entre idosos nos EUA.
- O percentual de idosos que adotam hábitos saudáveis aumentou de 29,7% para 36,6%.
- O percentual de idosos com comportamentos de risco subiu de 15,9% para 24,8%.
Fontes
- G1 imprensa





