Pesquisa na Amazônia transforma plantas tradicionais em medicamentos para o SUS
Laboratório da Unifap desenvolve tratamentos com biodiversidade amazônica que podem beneficiar milhares de pacientes
O Laboratório de Fármacos da Unifap une saberes ancestrais às pesquisas científicas para criar medicamentos acessíveis, como uma pomada de jucá para feridas do pé diabético, que está em fase de avaliação pela Anvisa.
No coração da Amazônia, um esforço de pesquisa científica está tentando transformar conhecimentos tradicionais das comunidades locais em tratamentos médicos acessíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo fontes da própria Universidade Federal do Amapá (Unifap), o Laboratório de Fármacos, coordenado pelo professor doutor José Carlos Tavares, vem dedicando mais de 35 anos ao estudo de plantas amazônicas que, por séculos, fazem parte do cotidiano dos povos da região.
De acordo com a Unifap, esse laboratório tem focado na pesquisa de espécies como o jucá, além de óleos de copaíba, andiroba, pracaxi, e frutos como o camu-camu e açaí. A ideia é criar medicamentos que possam ser produzidos em larga escala, garantindo acessibilidade e preservando a biodiversidade. Tavares relata que cresceu em uma família atuante na tradição de uso de plantas medicinais, e que essa experiência familiar impulsionou sua carreira de pesquisa. ''Desde a infância, meus familiares recorriam às plantas para tratar diferentes doenças. Quando ingressei na universidade, me dediquei a comprovar cientificamente esses saberes ancestrais'', afirmou segundo informações da própria instituição.
Neste mês, uma dessas pesquisas deu um passo importante: uma pomada de jucá, desenvolvida para tratar feridas no pé diabético, concluiu todas as etapas de testes laboratoriais. A próxima fase é a avaliação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ainda não há confirmação oficial de quando o produto poderá estar disponível para o público, mas o fato chamou atenção por destacar o potencial da biodiversidade amazônica na medicina moderna. Fontes da Unifap indicam que, até o momento, o medicamento não foi aprovado oficialmente e continua em análise pelos órgãos reguladores.
Segundo a instituição, o desenvolvimento de novos tratamentos envolve várias fases, incluindo análise de qualidade, testes laboratoriais e, posteriormente, estudos clínicos com pacientes. O objetivo é ampliar as opções de tratamentos acessíveis pelo SUS, especialmente para doenças que ainda desafiam a medicina tradicional. Ainda, o trabalho busca valorizar o conhecimento popular de comunidades tradicionais, que há gerações usam plantas como remédios naturais e que, em muitos casos, possuem uma eficácia comprovada na prática.
Essa iniciativa representa uma ponte entre saberes ancestrais e inovação tecnológica, situando-se como um exemplo de preservação cultural, ambiental e social. A Unifap explica que o desenvolvimento de medicamentos usando plantas da biodiversidade amazônica está condicionado à sustentabilidade, garantindo quantidade suficiente de matéria-prima para evitar prejuízos às comunidades e ao meio ambiente. A busca por tratamentos acessíveis e eficazes, portanto, combina ciência moderna com a riqueza cultural da região, numa tentativa de ampliar o acesso à saúde e valorizar o que o Cerrado e a floresta têm a oferecer.
O que sabemos?
- Laboratório da Unifap desenvolve medicamentos com plantas amazônicas para o SUS.
- Pomada de jucá contra feridas do pé diabético concluiu testes laboratoriais.
- Produto está em fase de avaliação pela Anvisa, ainda sem aprovação oficial.
- Coordenação do projeto é do professor José Carlos Tavares, que dedica mais de 35 anos ao estudo de espécies amazônicas.
Fontes
- G1 imprensa





