Família denuncia negligência médica após morte de bebê de 8 meses em Campo Grande
Suspeitas incluem falhas na administração de medicamentos, falta de oxigênio e assistência insuficiente durante atendimentos
A mãe da criança afirma que a rotina de ida a três unidades de saúde levantou dúvidas sobre a qualidade do atendimento recebido. Familiares planejam acionar a Justiça diante do caso.
Uma família de Campo Grande está em busca de respostas após a morte de Anna Laura Insarralde de Araujo, uma bebê de apenas 8 meses. Segundo relato da mãe, Ana Maria Morel Insarralde, a criança passou por três unidades de saúde diferentes em poucos dias, com o que a família suspeita de possíveis negligências médicas que possam ter contribuído para o desfecho fatal.
De acordo com o boletim de ocorrência, Anna Laura foi inicialmente atendida na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Universitário em 7 de outubro, apresentando febre, vômitos e diarreia. Segundo a mãe, na ocasião, a criança recebeu uma prescrição de medicamentos, e um raio-X apontou uma mancha no pulmão, mas ela foi liberada. Ainda assim, a família afirma que voltou à mesma unidade em 10 de outubro, com a criança apresentando piora no quadro clínico. Nesse segundo momento, os exames laboratoriais após novos sintomas de febre alta, vômitos e diarreia não apresentaram melhora, e a bebê foi transferida ao Hospital do Câncer Alfredo Abrão, às 15h05 daquele dia, na Ala de Pediatria Clínica.
Segundo o hospital, a transferência ocorreu após uma solicitação às 17h20 e foi realizada por volta das 18h, com a criança sendo internada em uma UTI pediátrica não oncológica, pois a unidade dispõe de 24 leitos clínicos, mas não de UTI especializada. Ainda nesta fase, a mãe relata que a médica responsável informou que os exames da criança haviam sido extraviados durante o processo de transferência. Durante o atendimento no hospital, Anna Laura recebeu medicação e teve piora clínica, que culminou na sua intubação e transferência para o Hospital Regional.
Na sequência, a criança foi levada ao Hospital Regional, onde os profissionais relataram que a bebê ficou temporariamente sem oxigênio por falhas nos equipamentos. Segundo a mãe, a suspeita de negligência inclui a administração de medicamentos de forma questionável, além de problemas com a assistência, que teria sido insuficiente para estabilizar a saúde da bebê. A criança, que apresentava diagnóstico de infecção, foi posteriormente inserida na UTI. Entretanto, Anna Laura não resistiu e veio a óbito após alguns dias de internação.
A família anunciou que pretende recorrer à Justiça para apurar as circunstâncias da morte, alegando que a prioridade é esclarecer se houve negligência durante os atendimentos. Ainda não há, até o momento da publicação, uma resposta oficial das instituições envolvidas. A Secretaria de Estado de Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde Pública ainda não se pronunciaram sobre o caso. A Associação de Vítimas de Erros Médicos de Mato Grosso do Sul também informou que pretende analisar os prontuários médicos de Anna Laura, buscando subsidiar possíveis medidas judiciais.
O que sabemos?
- Bebê de 8 meses morreu após passar por três unidades de saúde em Campo Grande.
- Suspeita de negligência médica inclui falhas na administração de medicamentos, falta de oxigênio e assistência insuficiente.
- Exames indicaram possível infecção, não câncer, conforme relata a família.
- Transferência da criança ocorreu entre unidades, com relato de exames extraviados.
- Família pretende acionar a Justiça para apurar as causas da morte.
Fontes
- G1 imprensa





