Saúde

Milhares de brasileiros enfrentam dificuldades com sono e nem sabem que têm uma condição que pode prejudicar a saúde

Em apuração ?

Insônia, muitas vezes considerada apenas um incômodo, pode ser uma doença que afeta a qualidade de vida e a saúde geral

Pessoa acordando cansada na cama, refletindo dificuldades de sono
Imagem: G1

Dados ainda não confirmados oficialmente indicam que quase um terço da população adulta em capitais brasileiras apresenta sintomas de insônia. Especialistas alertam para os riscos à saúde e a necessidade de mudanças de hábitos e tratamentos específicos.

Acordar cansado todos os dias deixou de ser um mero incômodo para milhões de brasileiros, sendo considerado por especialistas um sinal de uma condição que, se não tratada, pode evoluir para uma doença grave. Segundo informações obtidas junto ao Laboratório do Sono da USP, a insônia é caracterizada por dificuldades frequentes de iniciar e manter o sono, além de despertar precoce, causando prejuízos durante o dia. Ainda não há confirmação oficial, mas uma estimativa de especialistas aponta que quase um terço dos adultos nas capitais brasileiras apresenta sintomas compatíveis com a condição, que pode afetar o humor, o desempenho no trabalho e a saúde física. p>Entre os afetados, Vitória, de 30 anos, uma artista plástica e designer de joias, relata que desde a infância convive com dificuldades para dormir. Ela aponta que seu sono é leve e que desperta frequentemente durante a noite. "Eu me sinto fraca. Eu me sinto como se tivesse drenado minha energia", diz Vitória, que também relata dificuldade para voltar a dormir após acordar no meio da noite. De forma semelhante, Patrick, de 35 anos, que trabalha com reabilitação física, descreve noites de preocupação em relação ao horário de despertar. "Eu fico olhando o relógio na madrugada, preocupado em não perder a hora de acordar, o que acaba piorando meu sono." Segundo ele, essa privação já impacta também seu trabalho, e ele lembra de um episódio em que quase adormeceu enquanto atendia um paciente. p>O psiquiatra Alexandre Azevedo, do Laboratório do Sono da USP, explica que a condição se manifesta por dificuldades para iniciar o sono, interrupções durante a noite e despertar precoce, com sintomas progressivos que, se frequentes por pelo menos três noites por semana durante mais de três meses, indicam possível insônia. Ainda não há uma confirmação oficial, mas toda atenção deve ser dada aos sinais para evitar agravamentos. Para muitos, a causa pode estar relacionada ao uso excessivo de telas artificiais e estímulos noturnos, que mantêm o cérebro em estado de alerta, prejudicando o ciclo biológico natural de sono e vigília. Segundo especialistas, o tratamento inicial deve pensar na mudança de hábitos, com horários regulares para dormir e a restrição do uso de dispositivos eletrônicos antes de dormir. Casos persistentes, porém, podem requerer terapia cognitivo-comportamental, que ajuda a modificar padrões de pensamento que dificultam o sono. p>Um ponto importante destacado pelos profissionais da saúde é que a privação contínua de sono impede a limpeza natural do cérebro, o que, a longo prazo, pode aumentar o risco de problemas neurológicos e doenças cardiovasculares. Ainda não há uma posição oficial, mas estudos sugerem que dormir mal não apenas prejudica o bem-estar imediato, mas também pode desencadear enfermidades graves mais tarde. Especialistas reforçam que a insônia deixou de ser um problema exclusivamente psicológico ou de estresse, sendo reconhecida como uma doença que necessita de atenção e tratamento adequados. A conscientização para essa condição cresce à medida que mais pessoas relatam dificuldades parecidas, refletindo uma mudança nos hábitos de sono na sociedade brasileira, especialmente nas grandes cidades, onde o uso cotidiano de tecnologia e o ritmo acelerado do dia a dia intensificam o problema. O tema foi abordado recentemente em programas de televisão, que destacaram as causas e os caminhos para superar a insônia, incentivando a busca por ajuda médica.

Publicidade

O que sabemos?

  • Quase um terço dos adultos nas capitais brasileiras apresentam sintomas de insônia.
  • Dificuldades para dormir, despertares frequentes e acordar cedo fazem parte do quadro de quem sofre de insônia.
  • Mudanças de hábitos, como horários regulares e restrição de telas, podem ajudar no tratamento.
  • A privação prolongada de sono prejudica a limpeza do cérebro e aumenta riscos à saúde.

Fontes

  • G1 imprensa
Publicidade