Estudo revela que idosos ativos preservam o volume cerebral, especialmente na memória
Praticar atividade física pode ajudar a reduzir o declínio cognitivo com a idade, aponta pesquisa da Unesp
Pesquisadores da Unesp analisaram dados de quase 2.700 pessoas com cerca de 70 anos e encontraram uma relação direta entre atividade física e maior preservação do volume cerebral, incluindo áreas essenciais para memória e raciocínio.
Um estudo recente realizado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) apontou que idosos que mantêm um grau elevado de atividade física apresentam maior volume cerebral, especialmente nas regiões relacionadas à memória, cognição e raciocínio. A pesquisa, que reuniu dados de quase 2.700 indivíduos com idade média de 70 anos, reforça a ideia de que o exercício diário pode ser uma estratégia eficaz na prevenção do declínio cognitivo ligado ao envelhecimento.
Segundo fontes da própria equipe de pesquisa, os dados revelam uma associação consistente entre níveis mais elevados de movimento no dia a dia e uma estrutura cerebral mais preservada. A análise envolveu 19 estudos observacionais, que identificaram diferentes regiões do cérebro, incluindo o importante hipocampo, responsável pela formação de novas memórias. Essas regiões apresentaram maior volume em indivíduos mais ativos, o que reforça o papel do exercício na saúde cerebral.
O estudo foi conduzido pela graduanda Sara Oliveira Dias de Lucena, bolsista da FAPESP, sob orientação do professor Lucas Melo Neves, do Departamento de Educação Física do Instituto de Biociências da Unesp, campus de Rio Claro. Os pesquisadores avaliaram o nível habitual de atividade física dos participantes — por meio de questionários ou acelerômetros — e mediram o volume cerebral através de exames de ressonância magnética. Os resultados sugerem que a prática regular de exercícios pode evitar a atrofia natural do cérebro que ocorre com o envelhecimento.
Neves explica que o envelhecimento leva a uma redução progressiva do volume cerebral, devido à perda de neurônios e às mudanças na comunicação entre as células nervosas. Porém, essa perda varia bastante entre as pessoas e pode ser impactada por fatores como estilo de vida, controle de doenças crônicas e estímulo cognitivo. O hipocampo, em especial, tende a ser uma das primeiras regiões a sofrer atrofia, sendo crucial na formação de novas memórias e bastante afetada em doenças como o Alzheimer.
Embora o estudo ainda não tenha sido oficialmente confirmado por outras fontes, os resultados reforçam a importância da atividade física como uma possível aliada na preservação cerebral na terceira idade. Segundo os pesquisadores, o avanço no entendimento dessa relação pode futuramente ampliar as estratégias de prevenção ao declínio cognitivo, contribuindo para uma melhor qualidade de vida entre os idosos.
O que sabemos?
- Idosos mais ativos têm maior volume cerebral, especialmente em áreas de memória e raciocínio.
- A pesquisa analisou dados de cerca de 2.700 pessoas com média de 70 anos.
- O estudo reforça a importância do exercício na prevenção do declínio cognitivo.
- Dados sugerem que mais movimento ajuda a preservar estruturas cerebrais importantes, como o hipocampo.
Fontes
- Agência FAPESP fonte oficial



