Saúde

Nova terapia celular promete avanço no tratamento de câncer no sangue

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Investigação em Ribeirão Preto desenvolve estratégia que combina ataque direto às células tumorais e modulação do sistema imunológico

Ilustração de células imunológicas atacando células tumorais
Imagem: Agência FAPESP

Pesquisadores do Hemocentro de Ribeirão Preto criam células modificadas que atacam câncer de sangue de duas maneiras. Resultados em estudos com modelos animais apontam potencial promissor, mas ainda aguardam confirmação oficial.

Uma inovação no campo da imunoterapia pode representar um avanço no tratamento de leucemias e linfomas, tipos de câncer que atingem o sangue e o sistema imunológico. Segundo informações da Agência FAPESP, pesquisadores do Hemocentro de Ribeirão Preto desenvolveram uma estratégia que modifica células do sistema imunológico, as chamadas células NK, para que tenham uma dupla ação contra os tumores.

De acordo com a fonte, o estudo ainda não foi confirmado oficialmente por outras instituições, mas os resultados apresentados até agora indicam que essas células, denominadas CAR-NK, podem tanto atacar diretamente as células cancerígenas quanto reduzir a resposta inibidora do próprio organismo, que muitas vezes dificulta o sucesso de tratamentos imunoterápicos. A tecnologia envolve modificar glóbulos brancos do tipo natural killer, que já possuem uma capacidade natural de eliminar células infectadas ou tumorais, para que expressem uma proteína chamada CAR — receptor quimérico de antígeno — na sua superfície. Dessa forma, as células se tornam mais focadas na destruição de células doentes que carregam o antígeno específico, ignorando tecidos saudáveis.

O estudo, liderado pela professora Virginia Picanço e Castro do Centro de Terapia Celular (CTC), também incorporou uma proteína denominada GITRL às células modificadas. Segundo a pesquisa, essa molécula interage com células T reguladoras, que normalmente atuam para controlar a resposta imunológica. Em contextos como o câncer, as Tregs podem contribuir para suprimir a resposta do sistema imunológico às células tumorais, dificultando as ações terapêuticas. Os resultados indicaram que as células CAR-NK com GITRL apresentaram maior multiplicação e uma atividade metabólica mais elevada, o que pode ser benéfico para sua atuação.

Segundo a pesquisadora Dayane Schmidt, que também participa do estudo, a presença do GITRL ajudou a obstaculizar a ação inibitória das Tregs, tornando a ação das células de defesa mais eficiente. Ela explica: “Nós observamos que, ao entrar em contato com as Tregs, as células NK sem a GITRL são mais suscetíveis à inibição, enquanto as com GITRL demonstraram resistência a esse mecanismo, o que é uma grande vantagem para o potencial de tratamento.” Ainda de acordo com a pesquisadora, esses experimentos, realizados em modelos animais, indicam que a estratégia de combinar ataque direto ao tumor com a modulação do microambiente imunológico pode ser uma inovação importante na terapia contra esses cânceres.

Apesar dos resultados promissores, a técnica ainda está em fase experimental, e outras etapas precisam ser concluídas antes que possa ser considerada para uso clínico em humanos. Os autores do estudo esperam que, futuramente, essa abordagem possa melhorar a eficácia dos tratamentos atuais, além de reduzir efeitos colaterais, já que a terapia direcionada tende a ser mais precisa. Por ora, o que se sabe é que o trabalho foi apoiado pela FAPESP e publicada na revista Frontiers in Immunology, mas ainda não há confirmação de que a tecnologia esteja próxima de uso convencional. Assim, o avanço na pesquisa traz esperança, mas também reforça a necessidade de estudos adicionais e validações clínicas.

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O que sabemos?

  • Células NK modificadas podem atacar câncer no sangue de duas formas.
  • Tecnologia envolve o uso de células CAR-NK com proteína GITRL.
  • Resultados em modelos animais mostram maior sobrevivência e controle do tumor.
  • Estudo liderado pela professora Virginia Picanço e Castro, de Ribeirão Preto.

Fontes

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