Saúde

Laços pouco conhecidos entre epilepsia e demência emergem em novos estudos

Em apuração ?

Casos recentes apontam que crises epilépticas silenciosas podem mimetizar sintomas de doenças cognitivas

Paciente em consulta médica com especialista em neurologia
Imagem: Folha de S.Paulo

Pesquisas indicam que crises epilépticas e demência podem estar relacionadas, afetando milhões de idosos. Casos como o de Jeff Will ilustram a importância do diagnóstico preciso para tratamentos mais eficazes.

Recentemente, um caso que vem chamando atenção na comunidade médica trouxe à tona uma ligação pouco explorada entre epilepsia e demência. Jeff Will, atualmente com 73 anos, vive na Pensilvânia e começou a apresentar sintomas de confusão mental, esquecimentos frequentes e comportamentos estranhos, que inicialmente foram atribuídos a um possível derrame ou a uma demência precoce. Segundo fontes próximas, os episódios começaram antes que ele completasse 70 anos, com períodos de alheamento, perambulações pela casa e roupas vestidas de forma inusitada, como um suéter usado como calça.

Por quase três anos, Will passou por uma série de avaliações médicas, incluindo visitas a neurologistas, neuropsicólogos e psiquiatras, além de exames de imagem cerebral e avaliações cognitivas que aparentavam estar dentro do esperado para sua idade. A sua esposa, preocupada, o levou a diversos especialistas, até que, finalmente, na Cleveland Clinic, uma equipe médica chegou a uma conclusão surpreendente: os sintomas de Will emocionavam especialistas pelo fato de serem semelhantes aos de uma demência, mas eram desencadeados por crises epilépticas silenciosas — aquelas que acontecem sem sinais evidentes. Segundo fontes, a prescrição de um medicamento anticonvulsivante conseguiu interromper os surtos de confusão e perda de memória.

Pesquisas recentes têm mostrado que a relação entre epilepsia e demência possui uma ligação mais estreita do que se imaginava, com risco duas a três vezes maior de uma condição levar à outra. Segundo a professora de neurologia da Faculdade de Medicina de Harvard, Alice Lam, as crises epilépticas podem provocar sintomas semelhantes aos de diversas doenças cognitivas, como o Alzheimer, e vice-versa. Além disso, a fase pós-ictal — o período após uma crise, que pode durar horas ou dias — costuma apresentar episódios de confusão, esquecimentos rápidos e respostas alteradas a perguntas, dificultando o diagnóstico claro da causa principal.

Especialistas como Arjune Sen, da Universidade de Oxford, descrevem que um sinal característico dessa conexão é o 'esquecimento acelerado de longo prazo', onde detalhes de eventos recentes, como um filme assistido, podem ser perdidos em poucos dias ou semanas. Ainda que essas manifestações possam ser sutis e passar despercebidas, reconhecer essa relação é fundamental, pois tratamentos adequados podem melhorar a qualidade de vida de quem sofre com essa dupla condição, que afeta principalmente adultos e idosos. A descoberta reforça a importância de avaliações detalhadas em casos de sintomas cognitivos inexplicados e o entendimento de que crises epilépticas nem sempre se manifestam de forma ostensiva, como convulsões visíveis, podendo estar presentes de forma silenciosa e dificultando o diagnóstico correto. Enquanto a ciência avança nessa área, pesquisadores alertam para o fato de que ainda há muitos estudos em andamento e que a informação disponível é, em parte, ainda não confirmada oficialmente em todas as fontes, aguardando validação por novas pesquisas.

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O que sabemos?

  • Casos de pacientes com sintomas de demência após crises epilépticas silenciosas.
  • Pesquisas indicam risco duas a três vezes maior de desenvolvimento de demência em pessoas com epilepsia.
  • Sintomas de epilepsia podem incluir confusão e esquecimentos de curto e longo prazo.
  • Diagnóstico correto pode ser feito com acompanhamento neurológico adequado, incluindo exames de imagem e avaliações cognitivas.

Fontes

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