Saúde

Estudo revela que o modo de falar infantil pode antecipar problemas de saúde mental no futuro

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Pesquisas indicam que detalhes na forma como crianças narram suas experiências podem sinalizar vulnerabilidades emocionais

Criança falando e sendo observada por especialistas
Imagem: Folha de S.Paulo

Uma pesquisa recente mostrou que aspectos sutis na fala de crianças de 9 a 13 anos, analisados com inteligência artificial, podem ajudar a identificar risco de transtornos mentais futuros.

A maneira como crianças e pré-adolescentes falam pode fornecer pistas importantes sobre sua saúde mental anos antes de apresentarem sintomas evidentes. Segundo um estudo divulgado recentemente, ao analisar a linguagem utilizada por 204 jovens entre 9 e 13 anos com apoio de inteligência artificial, os pesquisadores conseguiram identificar que o estilo de narrar, especialmente o uso de palavras funcionais como pronomes, preposições e conjunções, pode ser indicativo de vulnerabilidade a condições como ansiedade e depressão. Os resultados, publicados em julho na revista Nature Mental Health, indicam que a forma de contar as histórias, mais do que o conteúdo emocional propriamente dito, revela detalhes do funcionamento cognitivo e emocional dos pequenos. A análise constatou que esses aspectos sutis na fala, muitas vezes imperceptíveis na conversação diária, refletem como as crianças organizam mentalmente suas experiências, estabelecem conexões entre eventos e expressam certeza ou dúvida ao falar. Segundo o psiquiatra Thiago Andrade Pedrosa, especialista em infância e adolescência do Espaço Einstein de Bem-estar e Saúde Mental, 'quando contamos uma história, fazemos escolhas linguísticas o tempo todo sem nem perceber'. Ele explica que essas escolhas podem ser sinais de processos internos menos conscientes, que indicam uma vulnerabilidade futura. Ainda não há confirmação oficial de que esse método possa substituir avaliações tradicionais, e a pesquisa está em fase de aprofundamento. O estudo reforça a importância de observar detalhes na comunicação infantil, já que crianças podem ter dificuldades para nomear diretamente seus sentimentos, mas expressam seu estado emocional de formas mais sutis na fala cotidiana. Essa abordagem, que combina tecnologia e compreensão do desenvolvimento infantil, promete abrir novas possibilidades para intervenções precoces na saúde mental.
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O que sabemos?

  • Análise da fala infantil pode indicar risco de transtornos mentais futuros.
  • Estudo acompanhou 204 jovens de 9 a 13 anos, por até seis anos.
  • Uso de inteligência artificial para interpretar aspectos sutis da linguagem.
  • Foco na forma e na organização das narrativas, especialmente nas palavras funcionais.

Fontes

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