Pesquisadora reflete sobre a doença mental na família e o mistério do DNA
Confusão entre diagnóstico e sentimento familiar levanta questões sobre genética e saúde mental
Consuelo Walss-Bass, bioquímica e escritora, discute suas experiências familiares e a dúvida sobre fatores genéticos na esquizofrenia.
Consuelo Walss-Bass, professora de Psiquiatria na Universidade do Texas e autora do livro "Por que a Minha Irmã?" (a ser lançado em 2026), compartilhou à BBC News Brasil detalhes de sua vida familiar, marcada pelos desafios da esquizofrenia. Segundo ela, a dúvida que a acompanhou por anos foi: "Por que só minha irmã tem esquizofrenia se herdamos os mesmos genes e crescemos juntas?". Essa questão também guiou sua trajetória acadêmica, ao estudar as causas genéticas do transtorno, um tema que ela explora em seu futuro livro. Ainda de acordo com a cientista, houve uma confusão inicial na sua família sobre o diagnóstico de sua irmã, pois seu pai afirmou que ela "não tinha esquizofrenia" e que saberia se ela tivesse. Walss-Bass explica que, na realidade, sua irmã necessitou de internação num hospital neurológico, o que gerou um impacto emocional profundo na vida de todos.
Ela descreve que, ao completar 15 anos, sua mãe foi internada pouco antes de seu aniversário. Apesar da dificuldade daquela época, ela relembra com carinho as lembranças positivas de sua infância, antes do primeiro episódio mais sério da mãe, e tenta entender como conseguiu separar a pessoa da doença. Segundo ela, a experiência de ver a mãe com sintomas como alucinações, delírios e falta de afeto foi particularmente dolorosa, especialmente porque, naquela idade, ainda não tinham conhecimento científico sobre esquizofrenia. "Foi uma das épocas mais difíceis da minha vida, pois completar 15 anos é uma data muito importante no México", contou. Walss-Bass destacou ainda que sua família internalizou o sofrimento, evitando falar abertamente sobre o assunto, o que dificultou o enfrentamento da situação. Ela relatou que lembra a mãe antes da doença como uma mãe dedicada e carinhosa, o que ajuda a entender a complexidade das doenças psiquiátricas.
Apesar de ainda não ter uma explicação definitiva para a questão biológica que a ciência busca, a trajetória de Walss-Bass retrata o impacto emocional e social que o transtorno pode gerar na vida das famílias. Ainda não há confirmação oficial sobre estudos específicos que possam esclarecer por que alguns membros de uma mesma família desenvolvem esquizofrenia enquanto outros, com genes semelhantes, não apresentam a condição. A própria cientista ressalta a importância de pesquisas que possam elucidar esses fatores, ao mesmo tempo que reconhece a dor que a doença causa aos familiares. Por ora, sua história mostra como a experiência pessoal se conecta ao avanço científico em uma área marcada por muitas questões não resolvidas.
O que sabemos?
- Consuelo Walss-Bass estuda causas genéticas da esquizofrenia.
- Ela questiona por que sua irmã tem a doença se herdaram os mesmos genes.
- A mãe de Walss-Bass foi internada poucos dias antes do seu 15º aniversário.
- Ela lembra a difícil separação entre a pessoa e a doença na infância.
- O livro dela trará uma reflexão sobre a vivência familiar com transtornos psiquiátricos.
Fontes
- BBC News Brasil imprensa





