Estudo revela alterações no microbioma humano e suas possíveis implicações na saúde
Pesquisadores identificaram mais de 600 espécies de bactérias que podem ter sido comuns no intestino há milhares de anos
Cientistas analisaram sociedades tradicionais e industrializadas, apontando diferenças na diversidade das bactérias no intestino humano e discutindo possíveis efeitos para a saúde moderna.
Uma nova pesquisa revelou que o microbioma humano, o ecossistema de trilhões de microrganismos que vivem no intestino, pode ter passado por mudanças profundas ao longo da história da humanidade. Segundo informações de uma fonte especializada, foi identificado que mais de 600 espécies de bactérias podem ter sido comuns no intestino de nossos antepassados, mas hoje estão perigosamente raras ou totalmente ausentes em pessoas de sociedades modernas e industrializadas.
De acordo com a análise, o estudo comparou amostras de fezes de diferentes grupos humanos ao redor do mundo, incluindo sociedades tradicionais ainda em modo de vida mais próximo ao de nossos ancestrais. Entre esses, os Hadza, um grupo de caçadores-coletores da Tanzânia, apresentaram uma vasta diversidade de bactérias, com aproximadamente 730 espécies, enquanto um típico americano possui cerca de 270 espécies. Segundo o cientista Justin Sonnenburg, da Universidade Stanford, muitas dessas bactérias ainda presentes nos Hadza são raras ou inexistentes na população de países industrializados.
Segundo Sonnenburg, há uma hipótese de que essas mudanças no microbioma podem ter contribuído para o aumento de doenças modernas, como alergias, demência e outros distúrbios inflamatórios. O cientista questiona: "Até que ponto o nosso estilo de vida, com alimentação rica em açúcar, grãos refinados, uso excessivo de antibióticos e outras práticas modernas, pode estar prejudicando esses microrganismos essenciais à nossa saúde?" A preocupação é que a alteração tanto do microbioma possa ter efeitos nocivos, ainda não completamente compreendidos.
O estudo também pontuou que grandes mudanças ocorreram há milhares de anos, quando os primeiros humanos começaram a cozinhar alimentos com fogo, e após a domesticação de plantas há cerca de 10 mil anos. No entanto, o impacto mais recente, envolvendo a alimentação com alimentos altamente processados e o uso massivo de antibióticos, talvez tenha provocado uma perda acelerada dessa diversidade microbiana, com possíveis consequências para o bem-estar geral.
Embora ainda não haja confirmações conclusivas, a pesquisa aponta para uma forte ligação entre o modo de vida moderno e a diminuição da diversidade do microbioma intestinal, o que poderia estar relacionado ao aumento de diversas doenças crônicas na atualidade. A comunidade científica continua investigando o tema, buscando entender o quanto essas mudanças podem ser prejudiciais e se há possibilidades de recuperar essa diversidade microbiana perdida, seja por meio de dietas específicas ou outros mecanismos. Ainda não há um posicionamento oficial sobre as conclusões do estudo, e o clube não se pronunciou até o momento sobre o assunto.
O que sabemos?
- Mais de 600 espécies de bactérias podem ter sido comuns no intestino humano no passado.
- Estudo comparou sociedades tradicionais e modernas, como os Hadza da Tanzânia, que possuem maior diversidade bacteriana.
- A diversidades dessas bactérias é significativamente maior em povos não industrializados.
- Mudanças no microbioma ao longo da história podem estar relacionadas ao aumento de doenças como alergias e demência.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





