Saúde

Acre registra caso de sarampo após mais de duas décadas e vacinações aumentam

Em apuração ?

Estado confirma dois casos em pacientes do Peru atendidos em Rio Branco, enquanto campanha de imunização avança.

Ilustração representando uma vacina sendo aplicada em uma criança
Imagem: G1

Nos primeiros nove meses de 2023, o Acre aplicou mais de 30 mil doses da vacina contra o sarampo, consolidando uma estratégia de reforço vacinal. Ainda assim, a doença voltou a preocupar a saúde pública após anos de silêncio.

O estado do Acre voltou a figurar nos registros epidemiológicos de sarampo após mais de duas décadas, com a confirmação, na última quinta-feira (8), de dois casos de pacientes residentes no Peru atendidos em Rio Branco. Segundo informações da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), os pacientes são uma criança de 11 meses e uma mulher de 30 anos, ambos moradores de Puerto Maldonado, no Peru. Ainda não há confirmação oficial se os casos são importados, mas a situação reacende a preocupação com uma doença que não era registrada na região desde 2000.

Dados recentes da Sesacre mostram que, entre janeiro e setembro de 2023, o Acre aplicou 34.376 doses de vacina contra o sarampo. Esses números representam um avanço na campanha de imunização, cujo levantamento aponta que a cobertura da primeira dose atingiu 93,08%. No entanto, a cobertura da segunda dose, essencial para a eficácia total da imunização, encontra-se em 68,41%. Para se ter uma ideia da evolução, o ano passado foi o que registrou o maior número de aplicações no estado, com 78.808 doses, enquanto 2021 teve o menor registro, com apenas 21.536 aplicações.

O panorama de vacinação mostra que o esforço para ampliar a proteção da população enfrenta desafios, particularmente na segunda dose. Ainda assim, o governo reforça a importância da imunização contínua. Segundo fontes da Sesacre, as ações de controle e vigilância, incluindo o bloqueio vacinal de contatos em até 72 horas, fazem parte da estratégia, especialmente em situações de aumento do risco. Além disso, há recomendações específicas para diferentes faixas etárias e grupos, incluindo crianças de 6 a 11 meses, que devem receber uma dose de vacina tríplice viral, e adultos de até 59 anos, cuja vacinação deve ser ajustada conforme a situação de imunização anterior.

Os dois pacientes do Peru receberam atendimento em Rio Branco, após passarem por municípios fronteiriços como Assis Brasil e Brasileia. Ainda não há confirmação oficial de que os casos sejam importados, mas as equipes de vigilância estão monitorando de perto os contatos dos pacientes. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), laboratório de referência nacional, confirmou a presença do vírus após exames de RT-PCR indicarem a infecção. A criança de 11 meses encontra-se internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), enquanto a mulher de 30 anos está hospitalizada, mas sem sinais de gravidade, de acordo com a Secretaria de Saúde.

Especialistas alertam que, apesar do avanço na vacinação, o retorno do sarampo no Acre evidencia a necessidade de reforçar a cobertura vacinal e o acompanhamento epidemiológico, sobretudo em regiões de fronteira. O caso reacende o alerta para uma doença que foi tida como controlada na região, ressaltando a importância de manter a imunização em níveis elevados para evitar novos surtos e a reintrodução do vírus. A Secretaria de Saúde ainda aguarda mais informações para entender se há outros contatos infectados ou possíveis focos na região. A atenção, agora, está voltada para a vigilância contínua e para assegurar que a população esteja protegida contra uma doença potencialmente grave.

Publicidade

O que sabemos?

  • Acre aplicou 34.376 doses de vacina contra sarampo entre janeiro e setembro de 2023.
  • Cobertura da primeira dose atingiu 93,08%, enquanto a da segunda dose está em 68,41%.
  • Duas pessoas do Peru foram atendidas em Rio Branco e diagnosticadas com sarampo, ainda não confirmadas oficialmente como importadas.
  • Último caso registrado no Acre foi em 2000.
  • A criança de 11 meses está internada em estado grave na UTI, e a mulher de 30 anos está hospitalizada, sem sinais de gravidade.

Fontes

  • G1 imprensa
Publicidade