Saúde

França supera hesitações e amplia cobertura vacinal, enquanto Brasil encara queda nos índices

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Experiência francesa mostra que estratégia além da combate à desinformação pode rever taxas de imunização

Ilustração de crianças sendo vacinadas e gráficos de aumento de cobertura vacinal
Imagem: BBC News Brasil

Após mudanças na legislação de vacinação em 2018, França registra avanços nas taxas de imunização, enquanto Brasil enfrenta retrocesso. Especialistas avaliam fatores por trás dessas diferenças.

Em um movimento pouco comum entre países com altas taxas de hesitação vacinal, a França vem atingindo números de cobertura vacinal que, em alguns casos, já superam as metas consideradas ideais para a proteção coletiva. De acordo com uma análise divulgada pelo BBC News Brasil, após a implementação de legislação mais rígida em 2018, que reforçou a obrigatoriedade de vacinas para crianças, o país teve um aumento significativo na adesão às imunizações, levando a um cenário de maior proteção comunitária contra doenças como sarampo, meningite e poliomielite.

Por outro lado, o Brasil, que também passou por uma redução gradual na cobertura vacinal a partir de 2015, enfrentou um agravamento durante a pandemia de covid-19. Dados indicam que a primeira dose da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, tinha uma cobertura de 96% em 2015. Esse índice caiu para 86% em 2017 e atingiu 74% em 2021, voltando a subir em 2024 para 95%, segundo informações não confirmadas oficialmente. Outros imunizantes, como a vacina BCG e a pentavalente, também apresentaram quedas acentuadas nos índices no período, refletindo dificuldades que envolvem redução de investimentos, desorganização do programa nacional de imunizações e os efeitos da pandemia.

Segundo uma fonte da BBC News Brasil, a experiência francesa demonstra que estratégias que vão além do combate à desinformação — como mudanças legais e políticas de reforço na obrigatoriedade — podem ser eficazes na recuperação das taxas de imunização. Em 2019, uma pesquisa do Instituto Wellcome, do Reino Unido, apontou que um em cada três franceses considerava as vacinas inseguras, e um em cada cinco achava-as ineficazes, números que ilustram os desafios de desconfiança ainda presentes no país, embora o cenário atual mostre avanços.

Ainda não há confirmação oficial sobre os números atuais de cobertura vacinal na França, e o governo francês não se pronunciou oficialmente sobre os resultados recentes. Da mesma forma, no Brasil, ainda há divergências quanto às estratégias ideais para recuperar a confiança e ampliar a adesão às vacinas, com debates que incluem investimentos, comunicação e fortalecimento dos serviços públicos de saúde. O que fica claro é que a luta contra a hesitação vacinal é complexa e demanda ações que vão além de combater notícias falsas, envolvendo políticas públicas, educação e confiança na ciência e nas instituições de saúde.

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O que sabemos?

  • Após mudança na lei em 2018, França registrou aumento na cobertura vacinal.
  • Na França, um em cada três adultos considerava vacinas inseguras em 2019.
  • Brasil teve queda na cobertura da tríplice viral de 96% (2015) para 74% (2021).
  • Dados indicam que a pandemia de covid-19 agravou a queda nas coberturas vacinais no Brasil.

Fontes

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