Saúde

Especialistas alertam para a necessidade de plano de ação para manutenção do tratamento do câncer em crises ambientais no Brasil

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Publicação destaca risco de interrupções no atendimento oncológico diante do aumento de eventos climáticos extremos

Ilustração de emergência no sistema de saúde durante evento climático extremo
Imagem: Folha de S.Paulo

Um artigo recente na revista The Lancet Regional Health – Americas alerta para o impacto de crises climáticas e sanitárias no tratamento de câncer no Brasil, propondo a criação de um plano de ação com comitês permanentes e fundos de emergência.

O sistema de saúde brasileiro precisa urgentemente de um plano de ação específico para garantir a continuidade do tratamento de pacientes com câncer durante crises ambientais, como desastres climáticos e outras emergências sanitárias. Segundo especialistas, esses eventos têm causado interrupções nos atendimentos, como aconteceu na pandemia de COVID-19 e, mais recentemente, em desastres como enchentes no Rio Grande do Sul em 2024.

De acordo com relatório publicado nesta terça-feira na revista The Lancet Regional Health – Americas, a crise de acesso ao serviço público de saúde se agravou significativamente durante a pandemia de 2020. Ainda segundo a fonte, em maio daquele ano, as mamografias e exames de papanicolau realizados no SUS sofreram uma redução superior a 80%, enquanto as biópsias caíram quase 70%. As cirurgias oncológicas também tiveram redução de aproximadamente 25% na primeira fase da pandemia, dificultando o diagnóstico e o tratamento precoce de diversos tipos de câncer.

O estudo, que reuniu pesquisadores da Iarc (Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, ligada à OMS), do Inca (Instituto Nacional de Câncer), da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), da Fiocruz, do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e de sociedades médicas e entidades de pacientes, recomenda que o Brasil inclua o cuidado com o câncer em seus planos de resposta a desastres. Uma das propostas é a criação de um comitê permanente dedicado a esse tema, além de um fundo de emergência, para assegurar que pacientes não fiquem sem diagnóstico ou tratamento em momentos de crise.

Segundo um dos autores do artigo,

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O que sabemos?

  • A pandemia de COVID-19 resultou na queda de mais de 80% nas mamografias e exames de papanicolau feitos pelo SUS em maio de 2020.
  • Cirurgias oncológicas recuaram cerca de 25% na primeira onda da pandemia.
  • Desastres ambientais, como enchentes em 2024 no Rio Grande do Sul, prejudicaram o cuidado com o câncer.
  • Especialistas recomendam incluir o câncer nos planos de resposta a desastres com comitês permanentes e fundos de emergência.

Fontes

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