Europa inicia liberação de mosquitos infectados com bactéria para controle de doenças
Primeira ação na Espanha usa método inovador para reduzir a população do mosquito-tigre-asiático
Mais de 1,5 milhão de mosquitos machos portadores da bactéria Wolbachia foram soltos em Barcelona com o objetivo de diminuir a reprodução do mosquito-tigre-asiático, transmissor de doenças como dengue e chikungunya.
Numa iniciativa inovadora na luta contra a disseminação de doenças transmitidas por mosquitos, a Europa começou, nesta semana, a liberar mais de 1,5 milhão de mosquitos machos carregando a bactéria Wolbachia na cidade de Barcelona, na Espanha. Segundo a Agência de Saúde Pública de Barcelona (ASPB), o objetivo é usar uma técnica que impede a reprodução do mosquito-tigre-asiático (Aedes albopictus), espécie que passa a ser uma preocupação crescente na região devido à sua capacidade de transmitir doenças como dengue, chikungunya e Zika.
A estratégia consiste na soltura semanal de aproximadamente 80 mil machos criados em laboratório. Esses insetos carregam a bactéria Wolbachia, que já existe naturalmente em várias espécies de insetos. Segundo informações ainda não confirmadas oficialmente, o método conhecido como técnica do inseto incompatível funciona quando esses machos acasalam com fêmeas que não possuem a mesma cepa da bactéria; a partir dessa união, os ovos produzidos não conseguem eclodir, o que reduz gradualmente a população do mosquito na área. Essa abordagem, considerada pioneira na escala urbana na Europa, busca complementar as ações tradicionais de controle sem depender exclusivamente do uso de inseticidas, que muitas vezes enfrentam resistência por parte dos mosquitos.
O projeto, coordenado pela ASPB e empresas especializadas, também utiliza tecnologia de inteligência artificial para garantir que somente machos sejam soltos. Segundo a empresa responsável, um sistema automatizado de reconhecimento de imagens identifica e seleciona esses insetos, evitando a liberação acidental de fêmeas que poderiam reproduzir os mosquitos e prejudicar a estratégia. Ainda assim, especialistas alertam que a vigilância e a eliminação de criadouros continuam essenciais, uma vez que a técnica depende do acompanhamento constante dos resultados.
A iniciativa espanhola faz parte de um movimento maior de controle ambiental que vem ganhando força na Europa, sobretudo em razão do crescimento do mosquito-tigre. Além disso, o aquecimento global tem contribuído para que esses insetos possam se estabelecer em novas regiões, ampliando ainda mais os desafios para a saúde pública. O método baseado na bactéria Wolbachia já apresenta resultados promissores no Brasil, onde estudos conduzidos pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) demonstraram quedas expressivas em casos de doenças transmitidas pelos mosquitos: cerca de 70% de redução na dengue, 60% na chikungunya e 40% no Zika, em cidades como Niterói (RJ) e Campo Grande (MS). Desde 2012, essas ações têm sido realizadas no Brasil pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Fiocruz e o WMP (World Mosquito Program), beneficiando aproximadamente 5 milhões de brasileiros até 2025, com previsão de expandidão para cerca de 70 milhões nos próximos anos.
Até o momento, a iniciativa na Espanha ainda não teve suas ações oficialmente confirmadas por fontes locais, e o clube responsável pela operação ainda não se pronunciou. O que se sabe é que o sucesso dessa experiência poderá representar um avanço significativo na estratégia de combate às doenças transmitidas pelo Aedes, uma preocupação global que exige inovação constante e uso de tecnologia para reduzir o impacto na saúde pública.
O que sabemos?
- Mais de 1,5 milhão de mosquitos machos infectados com Wolbachia serão soltos em Barcelona.
- A ação visa diminuir a população do mosquito-tigre-asiático, transmissor de doenças como dengue e chikungunya.
- A técnica impede a reprodução ao liberar machos que, ao acasalarem com fêmeas não infectadas, provocam ovos não viáveis.
- O método é complementado por sistema automatizado de reconhecimento de imagens por IA para selecionar os machos.
- Resultados positivos já foram observados em estudos no Brasil, com redução significativa de doenças transmitidas pelos mosquitos.
Fontes
- Revista Galileu fonte especializada





