Estudo revela que calor causa mais mortes por doenças respiratórias no Brasil do que o frio
Pesquisadores da Unicamp analisaram mais de um milhão de óbitos em uma década e apontam impacto do calor na saúde
Segundo pesquisa, temperaturas elevadas estão associadas a mais mortes por doenças respiratórias do que temperaturas baixas. Dados de 2010 a 2020 indicam que o calor foi responsável por cerca de 46 mil óbitos, enquanto o frio causou aproximadamente 20 mil.
Um estudo recente realizado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) trouxe uma constatação que pode mudar o entendimento comum: no Brasil, o calor já é considerado mais perigoso para a saúde respiratória da população do que o frio. A análise, publicada na revista científica PLOS Climate, examinou mais de 1 milhão de óbitos registrados entre 2010 e 2020, em 646 municípios brasileiros, e revelou que cerca de 66 mil mortes por doenças respiratórias tiveram alguma relação com temperaturas fora da faixa de menor risco, que é de aproximadamente 22,4°C.
O levantamento aponta que, do total, aproximadamente 46.429 mortes podem ser atribuídas ao calor, enquanto 19.650 mortes estão relacionadas ao frio. Assim, os dados indicam que mais de 46 mil vidas foram perdidas em decorrência de temperaturas elevadas, mostrando uma proporção significativa de 13 mil mortes que podem estar relacionadas ao calor extremo, um fenômeno que, segundo especialistas, causa efeitos adversos ao sistema respiratório ao promover desidratação das vias aéreas e espessamento da secreção pulmonar — fatores que facilitam infecções, crises de asma e agravamento de doenças como DPOC.
Segundo a equipe da universidade, as diferenças regionais também foram notadas na pesquisa, com a Região Norte apresentando a maior proporção de mortes atribuídas às temperaturas não ideais, especialmente as relacionadas ao calor. Além disso, a estimativa aponta que essa relação entre temperatura e mortalidade é relevante para entender os efeitos das mudanças climáticas, como o fenômeno El Niño, que pode agravar os riscos à saúde pública ao redor do mundo — e que, no Brasil, já despertam preocupação devido à intensidade dos recordes de frio e calor observados nos últimos anos.
Embora o estudo não possa afirmar que o calor causa diretamente essas mortes, ele reforça a importância de políticas públicas voltadas para o controle de temperaturas extremas e proteção da saúde respiratória, especialmente em regiões mais vulneráveis. Ainda não há uma resposta definitiva do governo ou de instituições de saúde sobre as ações específicas a serem tomadas, e o clube não se pronunciou oficialmente a respeito, mantendo o foco na análise acadêmica até o momento.
O que sabemos?
- Estudo conduzido por pesquisadores da Unicamp analisou mais de 1 milhão de óbitos entre 2010 e 2020.
- Cerca de 66 mil mortes por doenças respiratórias tiveram relação com temperaturas fora da faixa de menor risco.
- Mais de 46 mil mortes atribuídas ao calor, cerca de 20 mil ao frio.
- Região Norte apresentou maior proporção de mortes associadas ao calor.
- Temperaturas elevadas afetam o sistema respiratório, aumentando riscos de infecção e agravamento de doenças.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa
- CNN Brasil imprensa
- Superinteressante fonte especializada





